O novo relatório da CITES, intitulado “Estado de Conservação, Comércio e Esforços de Fiscalização para Pangolins”, aponta Moçambique como um dos pontos nevrálgicos na rota de tráfico deste mamífero, o mais traficado do mundo. Ao lado de nações como Nigéria, Camarões e Congo, Moçambique é identificado como uma das principais origens alegadas para o comércio ilegal de escamas e partes de pangolim.
Os dados são alarmantes: entre 2016 e 2024, estima-se que mais de 553 mil pangolins tenham sido apreendidos globalmente, envolvendo pelo menos 74 países e 178 rotas comerciais distintas, num esquema que movimenta quase 99% de todas as partes de fauna confiscadas neste período.
Enquanto Moçambique permanece sob escrutínio, o relatório destaca Angola pelo seu progresso significativo no controlo e combate ao tráfico nos últimos cinco anos. Outros países, como a Libéria, Singapura e os próprios Estados Unidos, também adoptaram medidas mais rígidas.
No caso da China, embora tenham sido implementadas regulações mais severas para o comércio de produtos que contêm escamas de pangolim, o relatório ressalva que os mercados internos ainda não foram totalmente encerrados, o que mantém a pressão sobre as populações selvagens em África.
A maioria das detenções relacionadas com este crime ocorre nos países africanos onde a espécie é nativa, com o Zimbabué a liderar as estatísticas de capturas (541 detenções). O documento da CITES conclui que existe uma necessidade imperativa de melhorar os mecanismos de fiscalização e a identificação precisa das espécies para desmantelar as redes organizadas.
Para Moçambique, o desafio passa por transitar da lista de países de origem para a lista de países com fiscalização eficiente, sob pena de continuar a ver os seus recursos naturais explorados para abastecer mercados ilícitos no Sudeste Asiático.
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