O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera ultrapassado o modelo de crescimento baseado no aumento da despesa pública para impulsionar o sector privado. A instituição defende que Moçambique deve avançar para uma maior flexibilidade cambial e projecta um crescimento económico de apenas 0,5% para o país.
O FMI apresentou esta quarta-feira, 03, em Maputo, as novas perspectivas económicas para a África Subsaariana, prevendo agravamento da crise da dívida, aumento do custo de vida e restrições no financiamento externo, associadas, entre outros factores, ao prolongamento das tensões geopolíticas no Médio Oriente.
Para o caso de Moçambique, o representante residente do FMI, Olamide Harrison, afirmou que os ciclos de expansão baseados no aumento do investimento público e na valorização das matérias-primas revelaram-se temporários e incapazes de sustentar o crescimento económico no longo prazo.
Segundo o responsável, este modelo já não é viável devido aos elevados níveis de endividamento, aos custos de financiamento e à redução da ajuda externa, defendendo que o crescimento sustentável depende do fortalecimento do sector privado através de reformas estruturais.
O FMI alerta ainda para uma possível aceleração da inflação e recomenda uma política monetária cautelosa, bem como maior flexibilidade cambial para responder a choques externos.
Numa avaliação geral, a instituição indica que 2025 foi um ano relativamente positivo para a África Subsaariana, com crescimento do PIB em torno de 4,5%, mas prevê um abrandamento das economias em 2026, devido à escassez de fertilizantes, subida dos combustíveis, redução do financiamento externo, aumento da dívida e pressão inflacionária.
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