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Presidente do Quénia defende centro de quarentena contra o Ébola financiado pelos Estados Unidos 

William Ruto justifica instalação na Base Aérea de Laikipia como parte da estratégia de prontidão sanitária; projecto foi suspenso temporariamente pelo tribunal após protestos populares

O Presidente do Quénia, William Ruto, defendeu publicamente os planos para acolher um centro de quarentena contra o vírus Ébola, financiado pelos Estados Unidos da América, nas instalações da Base Aérea de Laikipia. O chefe de Estado argumentou que a infra-estrutura se integra na estratégia alargada de prontidão sanitária do país e reflecte a cooperação de longa data mantida com Washington no sector da saúde pública. 

A criação desta unidade foi aprovada na sequência de um pedido formal submetido pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, tendo como finalidade inicial o alojamento de cidadãos dos Estados Unidos que tenham estado potencialmente expostos ao vírus. William Ruto esclareceu que o centro estará igualmente disponível para prestar assistência a cidadãos quenianos caso venha a ser necessário, comparando a iniciativa a outras estruturas de isolamento já operacionais em diversos pontos do território nacional. 

A projecção do centro gerou uma onda de contestação popular e manifestações na cidade de Nanyuki, com os residentes locais a manifestarem receio perante uma eventual exposição ao vírus e a questionarem as razões que levam o Quénia a albergar uma unidade vocacionada para acolher cidadãos estrangeiros. Em resposta às reclamações, um tribunal local decretou a suspensão temporária do projecto, na sequência de uma acção judicial avançada por contestatários. 

O Presidente queniano desvalorizou os receios manifestados pela população, assegurando que o país dispõe de capacidade instalada de isolamento e tratamento médico distribuída por 23 condados, além de submeter cerca de 3 mil pessoas a rastreios diários nos postos fronteiriços. O governante reforçou que não foi detectado qualquer caso positivo de Ébola no Quénia.  

A polémica em torno do centro surge num quadro regional em que o surto da estirpe Bundibugyo, que afecta a República Democrática do Congo e o Uganda, já provocou dezenas de vítimas mortais e foi declarado como uma emergência de saúde global. 


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