O Presidente do Quénia, William Ruto, manifestou a sua viva preocupação face ao surto de Ébola que afecta a vizinha República Democrática do Congo (RDC). O Chefe de Estado garantiu que o Executivo queniano adoptou medidas preventivas precoces para responder a qualquer cenário de contágio.
O posicionamento foi partilhado durante uma conferência de imprensa conjunta realizada na Finlândia com o seu homólogo finlandês, Alexander Stubb. Na ocasião, William Ruto revelou que as autoridades sanitárias quenianas já instalaram 23 unidades de isolamento ao longo das regiões fronteiriças.
A prontidão logística e médica é justificada pela elevada mobilidade humana na região. O estadista sublinhou que existem milhares de cidadãos quenianos e contingentes militares posicionados na zona leste da RDC, o que exige um esforço redobrado de monitoria.
Até ao momento, cerca de 100 mil indivíduos que cruzaram as fronteiras do Quénia foram submetidos a testes de despiste, não se registando qualquer caso positivo.
A estratégia do Governo, contudo, enfrenta resistência interna. A polícia queniana recorreu ao uso de gás lacrimogéneo e deteve manifestantes na cidade central de Nanyuki. O descontentamento popular foi motivado pela construção de um centro de quarentena de 50 camas numa base da força aérea local, financiado pelos Estados Unidos da América (EUA), cuja edificação prossegue à revelia de uma ordem judicial de embargo.
Os manifestantes contestam o projecto, acusando a administração norte-americana de transferir os riscos de gestão biológica de surtos da RDC e do Uganda para o território queniano. William Ruto tem sido o principal alvo das críticas, após ter defendido publicamente a pertinência do centro de quarentena.
O Presidente clarificou que o apoio norte-americano se circunscreve a apenas uma das 23 unidades de isolamento planeadas, enfatizando a importância da cooperação internacional para conter a ameaça de saúde pública.
A crise sanitária regional já resultou na exposição de vários cidadãos norte-americanos ao vírus na RDC e no Uganda. No mês passado, seis cidadãos dos EUA, incluindo um caso positivo confirmado, foram transferidos para uma unidade hospitalar especializada na Alemanha, enquanto um outro paciente foi evacuado para a República Checa.
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