Os preços do petróleo registaram uma forte contracção superior a 4% esta sexta-feira, atingindo os valores mais baixos dos últimos quase dois meses. A rotação abrupta do mercado surge na sequência da decisão do Presidente norte-americano, Donald Trump, de cancelar os novos ataques militares planeados contra o Irão, atenuando os receios internacionais de uma escalada de hostilidades na região do Médio Oriente.
Às 08h57, o barril de Brent para entrega futura recuava 3,81 dólares, equivalente a uma quebra de 4,22%, fixando-se nos 86,57 dólares. No mercado de Nova Iorque, o crude West Texas Intermediate (WTI) seguia uma trajectória idêntica, registando uma desvalorização de 4,33% ao perder 3,80 dólares, situando-se nos 83,91 dólares por barril. Ambos os contratos de referência recuaram para patamares que já não se verificavam desde o passado dia 17 de abril.
O alívio na geopolítica mundial consolidou-se após Donald Trump ter anunciado a suspensão das retaliações militares, justificando que as conversações directas com Teerão registaram progressos significativos. Segundo a Casa Branca, um acordo de paz definitivo que garanta a reabertura do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo comercial poderá ser assinado já no decurso deste fim-de-semana.
Do lado iraniano, a imprensa internacional confirmou que as negociações finais para um memorando de entendimento conjunto vão incidir sobre matérias nucleares e económicas, deixando de fora o programa de mísseis do país.
Apesar do optimismo gerado pela vertente diplomática, analistas de mercado alertam que as reservas globais de crude permanecem em níveis invulgarmente baixos. Especialistas do sector apontam que a normalização total dos fluxos de navegação exigirá tempo, mesmo após a validação do tratado.
O Estreito de Ormuz, que chegou a estar sob ameaça de bloqueio total por parte das forças iranianas e que escoa cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito a nível global, continua a ser monitorizado de perto pelas Forças Armadas dos Estados Unidos, que garantem a continuidade segura do trânsito de navios comerciais.
Num plano macroeconómico mais alargado, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) reviu em baixa a sua previsão de crescimento da procura mundial de petróleo para o ano corrente de 2026, fixando-a em 970 mil barris por dia, face aos anteriores 1,17 milhões de barris. Esta revisão em baixa é justificada pela desaceleração económica global corrente, embora o cartel preveja uma recuperação robusta da procura para o ano subsequente de 2027.
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