Miramar News Mundo JAPÃO LIBERTA RESERVAS ESTRATÉGICAS DE PETRÓLEO PARA TRAVAR CHOQUE ECONÓMICO

JAPÃO LIBERTA RESERVAS ESTRATÉGICAS DE PETRÓLEO PARA TRAVAR CHOQUE ECONÓMICO

Tóquio disponibiliza recorde de 80 milhões de barris face ao bloqueio no Estreito de Ormuz; medida integra esforço global coordenado pela Agência Internacional de Energia

O Governo do Japão iniciou, nesta segunda-feira, a libertação das suas reservas estratégicas de petróleo, numa tentativa de mitigar o impacto económico severo provocado pelo conflito militar entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. A decisão surge num momento de grande instabilidade, em que a interrupção no fornecimento de crude através do Estreito de Ormuz começou a reflectir-se numa subida acentuada dos preços dos combustíveis em território nipónico.

Para responder à crise, o Japão comprometeu-se a libertar um volume recorde de 80 milhões de barris de petróleo, o equivalente a cerca de 45 dias de consumo desta nação que, por escassez de recursos naturais, é altamente dependente de importações.

De acordo com o Ministério da Economia, Comércio e Indústria, a operação começou hoje com a disponibilização de 15 dias de reservas do sector privado, seguindo-se, no final deste mês, a libertação de mais um mês de reservas estatais. Esta medida representa uma redução de 17% no stock nacional japonês.

A acção de Tóquio insere-se num plano mais abrangente coordenado pela Agência Internacional de Energia (AIE), que prevê a libertação global de 400 milhões de barris para estabilizar os mercados e conter a volatilidade dos preços. Embora as nações do G7 dependam do Médio Oriente para cerca de 90% do seu abastecimento, o sistema de reservas estratégicas, criado pelo Japão em 1978 após o embargo árabe, permite actualmente uma margem de segurança de 254 dias de consumo.

As autoridades pediram às refinadoras locais que processem o crude agora disponibilizado, visando assegurar que o mercado doméstico permaneça abastecido e que as cadeias de produção não sofram uma paralisia.

Enquanto o conflito no Golfo persiste, a estratégia do Japão e dos seus aliados ocidentais foca-se em utilizar estas reservas históricas como um amortecedor contra o choque de oferta, tentando evitar que a crise energética se transforme numa recessão económica global de larga escala.


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