Os preços do petróleo registaram uma queda de 7% na terça-feira (10 de março), após terem atingido o valor mais alto em mais de três anos na sessão anterior. O recuo ocorreu após o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prever que a guerra no Médio Oriente poderá terminar em breve, atenuando as preocupações sobre interrupções prolongadas no fornecimento.
Os contratos de futuro do Brent recuaram 6,75 dólares, ou 6,8%, para 92,21 dólares por barril, enquanto o crude West Texas Intermediate (WTI) dos EUA caiu 6,41 dólares, ou 6,8%, para 88,36 dólares por barril. Ambos os contratos chegaram a registar quedas de 11% no início do dia.
O volume de transacções do Brent baixou para cerca de 213.000 contratos, o nível mais baixo desde 27 de fevereiro, data que antecedeu o início do conflito. No WTI, os volumes caíram para 212.000, o valor mais baixo desde 20 de fevereiro.
O QUE ESTÁ EM CAUSA
O Estreito de Ormuz, uma passagem estreita de água entre o Irão e Omã que liga o Golfo ao Golfo de Omã, é a única saída marítima para países produtores de petróleo e gás, tais como o Kuwait, Irão, Iraque, Qatar e Emirados Árabes Unidos. Os preços do petróleo atingiram brevemente o seu nível mais elevado desde 2022 na segunda-feira.
De acordo com as Nações Unidas, preços elevados do crude podem desencadear outra crise de custo de vida, tal como aconteceu após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Um conflito prolongado poderá igualmente causar um choque no sector dos fertilizantes, colocando em risco a segurança alimentar global.
Cerca de 33% dos fertilizantes mundiais, incluindo enxofre e amoníaco, passam pelo Estreito, segundo a empresa de análises Kpler. Uma guerra extensa poderá alimentar receios de uma crise económica global semelhante às que se seguiram aos choques petrolíferos do Médio Oriente na década de 1970.
PARALISAÇÃO DA PRODUÇÃO NA ARÁBIA SAUDITA E REGIÃO
A Arábia Saudita cortou a produção de petróleo apenas marginalmente até agora, para cerca de 9,8 milhões de barris por dia (bpd), face à sua quota da OPEP de 10,1 milhões de bpd, segundo estimativas da Energy Aspects. Em fevereiro, o país produziu cerca de 10,9 milhões de bpd para reforçar as exportações em preparação para possíveis interrupções. Fontes indicaram na segunda-feira que a Aramco começou a cortar a produção em dois dos seus campos petrolíferos. Na semana passada, o reino suspendeu a produção na sua refinaria de Ras Tanura, de 550.000 bpd, e começou a redireccionar os carregamentos de crude dos portos do Leste para Yanbu, no Mar Vermelho.
A refinaria foi atingida novamente a 4 de março. De forma geral, a produção de crude no Médio Oriente caiu cerca de 4,9 milhões de bpd desde o início das hostilidades, incluindo cortes de 2,4 milhões de bpd no Iraque, 0,7 milhões de bpd no Kuwait e 0,6 milhões de bpd nos Emirados Árabes Unidos.
INCIDENTES NOS EMIRADOS ÁRABES UNIDOS E OUTROS ESTADOS DO GOLFO
A gigante estatal de Abu Dhabi, ADNOC, encerrou a sua refinaria de Ruwais, de 922.000 bpd, após um ataque de drones que causou um incêndio. Um incêndio deflagrou também no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, um centro global estratégico de armazenamento e abastecimento de combustível.
No Kuwait, a Kuwait Petroleum Corporation começou a cortar a produção e declarou força maior a 7 de março. No Iraque, a produção nos principais campos do Sul caiu 70%, passando de 4,3 milhões para apenas 1,3 milhões de bpd, segundo fontes informaram a 8 de março. Além disso, no Curdistão iraquiano, várias empresas interromperam a actividade após a região ter exportado 200.000 bpd por oleoduto para a Turquia em fevereiro.
SITUAÇÃO NO QATAR, BAHREIN E IRÃO
O Qatar interrompeu as operações nas suas instalações de Gás Natural Liquefeito (GNL) a 2 de março, afectando algumas das maiores fábricas do mundo e uma fonte que fornece cerca de 20% do GNL global. A QatarEnergy suspendeu partes da produção a jusante e declarou força maior nos carregamentos a 4 de março.
No Bahrein, a Bapco Energies declarou força maior nas operações do grupo na segunda-feira, após um ataque à sua refinaria de Sitra, de 380.000 bpd, que processa maioritariamente crude saudita.
Israel também reduziu parte da sua produção de petróleo e gás. No Irão, os ataques israelitas atingiram múltiplos depósitos de combustível e a Ilha de Kharg, o principal ponto de exportação iraniano, embora a extensão dos danos não seja clara.
NAVEGAÇÃO MARÍTIMA E SEGURANÇA NO ESTREITO
O tráfego através do Estreito de Ormuz esteve largamente encerrado pelo décimo primeiro dia consecutivo. Cerca de onze navios foram atacados e um número muito limitado de navios-tanque conseguiu entrar ou sair do Estreito. O Irão declarou a passagem encerrada a 2 de março, avisando que dispararia contra qualquer navio que tentasse passar. Perante este cenário, grandes seguradoras marítimas estão a cancelar a cobertura de riscos de guerra para embarcações que operam no Irão, no Golfo e em águas adjacentes.
O Presidente Donald Trump afirmou que a Marinha dos EUA poderia escoltar navios-tanque e instruiu a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA a fornecer seguros contra riscos políticos, embora armadores e analistas duvidem da eficácia destas medidas.
IMPACTO DIRECTO NOS CONSUMIDORES GLOBAIS
Numerosas refinarias e empresas petroquímicas asiáticas cortaram a actividade ou declararam força maior devido à interrupção no fornecimento de matérias-primas, como a nafta.
A Coreia do Sul irá fixar tectos nos preços domésticos dos combustíveis para conter picos de preços e desencorajar compras motivadas pelo pânico. O Vietname planeia remover as tarifas de importação de combustíveis até ao final de abril para garantir o abastecimento suficiente.
No Bangladesh, as autoridades decidiram encerrar todas as universidades públicas e privadas a partir de segunda-feira e antecipar as férias do Eid al-Fitr como medida para conservar energia eléctrica.
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