Centenas de manifestantes concentraram-se, esta terça-feira, na cidade de Durban, para dar início a uma marcha de grande escala contra a imigração ilegal. O protesto, monitorizado de perto por fortes contingentes da polícia sul-africana, foi marcado pela exibição de bandeiras nacionais e entoação de cânticos de contestação.
A comissão organizadora da mobilização justificou o protesto com a necessidade de pressionar o Executivo de Pretória a adoptar medidas severas contra o aumento da imigração clandestina. Os promotores da marcha associam o fenómeno ao crescimento dos índices de criminalidade e à saturação dos serviços públicos essenciais no país.
A manifestação decorre num ambiente de elevada fricção social em várias regiões da África do Sul. Temendo que os protestos anti-imigração descambassem em violência física e pilhagens, muitos proprietários optaram por encerrar os seus estabelecimentos comerciais, enquanto centenas de cidadãos estrangeiros decidiram não se apresentar nos seus postos de trabalho para salvaguardar a integridade física.
De acordo com os dados estatísticos oficiais mais recentes, referentes ao censo de 2023, a África do Sul alberga cerca de 3,1 milhões de migrantes, o que representa sensivelmente 4,1 por cento da população total do país, um decréscimo comparativamente aos 5,6 por cento registados na década passada.
Os líderes do movimento exigem que as autoridades governamentais acelerem os processos de repatriamento forçado de cidadãos indocumentados e reforcem a fiscalização nas fronteiras.
Apesar de o Governo sul-africano ter reiterado que repudia qualquer tipo de violência xenófoba e que não aprova as acções de coação contra estrangeiros, o Executivo continua a ser alvo de duras críticas por parte de organizações da sociedade civil e de outros estados africanos, que acusam Pretória de passividade na erradicação deste foco de instabilidade regional.
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