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Moçambique e o mundo de olhos postos na África do Sul: Reitor da NWU apela à rejeição da violência e à reposição da ordem legal 

Artigo de opinião assinado pelo Professor Bismark Tyobeka adverte para o risco de o país se isolar globalmente devido à intolerância contra estrangeiros

O Reitor e Vice-Chanceler da Universidade do Noroeste (NWU), Professor Bismark Tyobeka, manifestou profunda preocupação face à ameaça de distúrbios e violência em grande escala direccionados contra imigrantes na África do Sul. Num artigo de reflexão, o académico traçou um paralelismo entre o optimismo democrático de 1990 e 1994 e o actual clima de tensão social, alertando que as agressões xenófobas ameaçam transformar novamente a nação num pária internacional. 

A tomada de posição surge num momento em que o debate sobre a imigração domina a agenda pública sul-africana. O Professor Tyobeka defendeu que a sociedade não deve ser colocada perante a falsa escolha entre tolerar a violência ou ignorar a imigração ilegal. Na sua óptica, a incapacidade do Estado em gerir as fronteiras e aplicar as leis migratórias faz com que os migrantes comuns se tornem bodes expiatórios de falhas governamentais, sublinhando que a violência nunca será a solução para os desafios económicos do país. 

O académico trouxe a realidade para o contexto universitário, explicando que o isolamento intelectual empobrece as instituições de ensino superior. O Reitor destacou que a abertura ao exterior e o respeito pelas normas constitucionais são valores complementares, detalhando que os estudantes e docentes estrangeiros integram as universidades através de processos rigorosos de vistos e contratação, gerando mais-valias científicas e culturais que ultrapassam fronteiras geográficas. 

O posicionamento evocou ainda dados económicos partilhados pela prestigiada publicação britânica The Economist, apoiados em pesquisas do Banco Mundial e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Os estudos indicam que os residentes nascidos no estrangeiro representam apenas cerca de 5% da população sul-africana, sendo frequentemente criadores líquidos de postos de trabalho e motores de actividade comercial, além de apresentarem, em média, taxas de criminalidade inferiores às dos cidadãos nacionais. 

Ao finalizar a sua reflexão, o responsável máximo da NWU apelou ao resgate do legado de reconciliação de Nelson Mandela, instando o país a rejeitar a xenofobia sem reservas e, em simultâneo, a aplicar as leis de imigração com firmeza e justeza, sob o manto do Estado de Direito. 


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