Grupos de manifestantes anti-imigração realizaram, nesta quinta-feira, uma operação de buscas porta a porta no bairro de Alexandra, em Joanesburgo, com o objectivo de expulsar cidadãos estrangeiros indocumentados. Sob o olhar das forças policiais, que monitorizavam a movimentação, várias pessoas foram retiradas à força das suas habitações por civis armados com paus e catanas.
Testemunhas no local relataram que os manifestantes forçaram a entrada em diversas residências, detendo e escoltando imigrantes de várias nacionalidades, incluindo cidadãos do Malawi e do Zimbabwe. Posteriormente, alguns dos indivíduos retirados dos imóveis foram colocados no interior de carrinhas da polícia sul-africana.
Estas acções representam uma nova escalada na vaga de protestos e ataques xenófobos que tem vindo a intensificar-se na África do Sul ao longo das últimas semanas. A situação tem gerado forte preocupação internacional devido aos relatos de estrangeiros expulsos das suas casas, além do vandalismo e destruição de propriedades e estabelecimentos comerciais pertencentes a migrantes na região.
A comunidade imigrante tem sido publicamente acusada pelos manifestantes de ocupar postos de trabalho locais, influenciar o aumento da criminalidade e sobrecarregar os serviços públicos essenciais. Contudo, cientistas sociais e investigadores alertam que estas alegações carecem de evidências factuais.
Segundo dados oficiais da agência de estatísticas do país (StatsSA), a população imigrante na África do Sul está estimada em cerca de 3 milhões de pessoas, o que representa sensivelmente 4% da população total, uma percentagem considerada baixa face aos padrões globais de migração.
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