Pelo menos 51 cidadãos moçambicanos viram as suas residências incendiadas e perderam todos os seus bens na região de Mamelodi, em Pretória, na África do Sul. O ataque ocorreu no contexto da escalada de tensão associada ao dia 30 de Junho, data estabelecida por movimentos anti-imigração sul-africanos como prazo limite para a retirada de cidadãos estrangeiros em situação migratória irregular.
Segundo um comunicado emitido pelo Gabinete de Informação (Gabinfo) recebido da redacção da Miramar, as vítimas destes ataques encontram-se sob protecção das autoridades policiais sul-africanas. O Executivo moçambicano indicou que já estão em curso as diligências institucionais necessárias para garantir o repatriamento seguro destes cidadãos.
O clima de insegurança alastrou-se também à região de Durban e áreas adjacentes, onde continuam a ser reportados casos de intimidação psicológica e agressões físicas directas contra a comunidade moçambicana. Face às ameaças, muitos compatriotas foram obrigados a abandonar temporariamente as suas habitações para salvaguardar a integridade física.
Apesar de a violência generalizada temida pelas autoridades governamentais não se ter materializado à escala inicialmente prevista, o ambiente permanece de elevada fricção social. Registaram-se manifestações localizadas e com forte presença policial em províncias como Joanesburgo, Pretória, Cabo Ocidental, North West e KwaZulu-Natal, o que forçou o encerramento de estabelecimentos comerciais e o condicionamento dos transportes públicos.
O Gabinfo assegurou que as Missões Diplomáticas e Consulares de Moçambique na República da África do Sul mantêm um plano de monitoria permanente nos focos de tensão, e equipas técnicas continuam no terreno prestar assistência jurídica e protecção consular a todos os cidadãos nacionais afectados.
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