Notícias Saúde Três vírus merecem ‘atenção especial’ em 2026, aponta pesquisador

Três vírus merecem ‘atenção especial’ em 2026, aponta pesquisador

Planeta mais quente e cada vez mais populoso pode abrir caminho para novos surtos de doenças

Pesquisador dos EUA aponta que tendência é de que surtos de Mpox “piorem" Reprodução/Debora Ferreira Barreto Vieira/Fiocruz

Um planeta mais quente e cada vez mais populoso coloca os humanos em contato com mais e diferentes vírus, o que pode abrir caminho, no futuro, para novos surtos de doenças.

Diante desse cenário, o pesquisador Patrick Jackson, professor assistente de doenças infecciosas na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, apontou três vírus que merecem atenção especial em 2026: a gripe aviária H5N1, o mpox e o vírus Oropouche. O artigo foi publicado na revista The Conversation.

Gripe A

Jackson descreve a gripe A (também conhecida como gripe aviária) como “uma ameaça constante”, capaz de infectar uma ampla variedade de animais e sofrer mutações rapidamente.

A mais recente pandemia causada pelo vírus foi registrada em 2009 pelo subtipo H1N1. Mais de 280 mil pessoas morreram na ocasião.

O vírus continua em circulação, aponta Jackson. Agora, a atenção dos cientistas está voltada para o subtipo H5N1, altamente patogênica e que foi detectado pela primeira vez em em 1997, na China. Aves selvagens ajudaram a disseminá-lo pelo mundo ao ponto de, em 2024, o vírus ser encontrado pela primeira vez em um gado leiteiro nos EUA. Ele se estabeleceu em rebanhos do país posteriormente.

“A transmissão do vírus de aves para mamíferos gerou grande preocupação de que ele pudesse se adaptar aos humanos. Estudos sugerem que já ocorreram muitas transmissões de vacas para o homem”, descreve Jackson.

O pesquisador destaca que, em 2026, os cientistas continuam buscando evidências de que o H5N1 tenha sofrido mutações suficientes para ser transmitido de pessoa para pessoa, um passo necessário para o início de uma nova pandemia de gripe.

Ainda segundo o especialista, as vacinas contra gripe atualmente disponíveis não oferecem proteção contra o H5N1. “Os cientistas estão trabalhando para criar vacinas eficazes”, disse.

Mpox

O vírus Mpox foi descoberto pela primeira vez na década de 1950 e, durante muitas décadas, foi raramente observado. A doença infecta principalmente roedores, mas também pode ser vista em humanos. Entre os sintomas estão febre e erupção cutânea, que pode durar semanas. Há uma vacina disponível, mas não existem tratamentos eficazes.

Embora o número de casos tenha diminuído significativamente desde um surto em 2022, a variante clado II se estabeleceu em todo o mundo. Vários países da África também relataram um aumento nos casos da variante clado I desde 2024. Os EUA também tiveram casos, inclusive em pessoas que não viajaram para a África.

Não está claro como os surtos de mpox continuarão a evoluir em 2026. Para Jackson, no entanto, a tendência é “piorar.”

Vírus Oropouche

O vírus Oropouche foi identificado pela primeira vez na década de 1950 na ilha de Trinidad, na costa da América do Sul. O vírus é transmitido por mosquitos e pequenos borrachudos, também conhecidos como mosquitos-pólvora.

Os sintomas incluem febre, dor de cabeça e dores musculares. Na maioria dos casos, a enfermidade dura apenas alguns dias, mas parte dos pacientes pode apresentar fraqueza prolongada, que se estende por semanas. Além disso, há possibilidade da doença reaparecer após a recuperação inicial.

Segundo Jackson, existem muitas perguntas sem resposta sobre o vírus Oropouche e a doença que ele causa. Não há tratamentos ou vacinas específicos.

Durante décadas, explica ele, acreditava-se que as infecções em humanos ocorriam apenas na região amazônica. No entanto, a partir do início dos anos 2000, casos começaram a ser registrados em uma área maior da América do Sul, América Central e Caribe. Nos EUA, eles costumam ocorrer entre viajantes que retornam do exterior.

“Em 2026, surtos de Oropouche provavelmente continuarão afetando viajantes nas Américas”, destaca Jackson. O mosquito transmissor é encontrado em toda a América do Norte e do Sul. A área de distribuição do vírus pode continuar a se expandir, diz o pesquisador.

Vírus já conhecidos

Apesar de listar apenas três, Jackson afirma que outros vírus bastante conhecidos também podem representar riscos ao longo de 2026.

Esse é o caso do vírus da chikungunya, transmitido pelo Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e do Zika, e o Aedes albopictus.

Outra preocupação, de acordo com Jackson, envolve o vírus que muitos já consideravam controlados, como o sarampo. Os casos continuam a aumentar em todo o mundo, dentro de um contexto de diminuição das taxas de vacinação.

Já os casos de HIV podem voltar a aumentar, apesar da disponibilidade de tratamentos eficazes caso continuem os cortes em programas internacionais de cooperação em saúde.

MIRAMAR

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