O Hospital Central de Maputo registou um progresso notável no combate à leucemia, o tipo de cancro mais comum entre as crianças atendidas no Serviço de Hemato-Oncologia. Segundo a directora do serviço, Faizana Amade, a taxa de sobrevivência, que se situava nos 30% entre 2011 e 2015, subiu para 50% a partir de 2020.
Este resultado aproxima o país da meta de 60% definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para países em desenvolvimento até ao ano de 2030. A melhoria destes indicadores deve-se, em grande parte, à modernização dos meios de diagnóstico.
Actualmente, o HCM consegue confirmar casos de leucemia em menos de 24 horas, permitindo que o tratamento comece de forma quase imediata. Além disso, a criação de uma enfermaria específica em 2018, separada dos serviços gerais, foi fundamental para reduzir o risco de infecções e permitir que uma equipa multidisciplinar fixa prestasse cuidados mais qualificados.
Apesar dos ganhos, a onco-pediatra Angelina Dias alerta que ainda existem barreiras críticas para garantir que todas as crianças moçambicanas tenham as mesmas oportunidades de cura. Um dos principais problemas é a concentração de serviços na capital, o que faz com que a maioria dos pacientes seja proveniente de Maputo, Gaza e Inhambane, enquanto crianças de zonas mais distantes enfrentam dificuldades de deslocação.
O diagnóstico tardio continua a ser uma preocupação, muitas vezes causado pela falta de pessoal treinado em outras unidades sanitárias para identificar os primeiros sinais da doença.
Actualmente, o país conta com apenas três especialistas na área, todos colocados no HCM, o que reforça a necessidade urgente de investir na formação de novos profissionais e na descentralização do atendimento especializado para outras províncias.



















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