Um cenário de tensão e dor marcou o bairro de Chinonanquila na manhã desta terça-feira, no distrito de Boane, onde os familiares de Carlos Matsinhe, de 25 anos, decidiram levar o caixão com o seu corpo para ser velado mesmo à porta da residência da pessoa que o acusou de roubo, acto que culminou no seu linchamento.
Segundo contou a família a Miramar, o jovem era um trabalhador honesto que se esforçava diariamente para sustentar a esposa e a filha recém-nascida. Relatam que, no dia do sucedido, Carlos Matsinhe tinha saído do trabalho e consumido bebidas alcoólicas com os colegas.
Já em estado de aparente embriaguez, acabou por cair e adormecer numa das ruas do bairro em frente a uma residência. Ao acordarem e depararem-se com o jovem estendido no chão, o proprietário da referida habitação teria gritado por socorro, alertando a vizinhança, que avançou para a agressão física até à morte.
Por outro lado, a versão de quem presenciou o início dos tumultos é oposta. Vizinhos do cidadão acusado de ter incitado as agressões defendem a sua atuação, assegurando que o malogrado era mesmo um assaltante e que, no momento, se fazia acompanhar por outros dois cúmplices que conseguiram colocar-se em fuga. Devido a esta convicção, este grupo de moradores condena a atitude da família da vítima em realizar o velório em plena via pública, à porta da residência apontada.
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