O governo de Donald Trump, envolvido no conflito contra o Irão ao lado de Israel, enfrenta a impopular subida dos preços nos postos de combustível a poucos meses das eleições de meio de mandato. Empresários e profissionais do sector de energia, reunidos na segunda-feira, no Texas, expressaram preocupação com os impactos da guerra nos negócios, enquanto Washington tentava tranquilizá-los.
A cidade de Houston, capital petrolífera do país, acolhe o CERAWeek, um fórum que reúne 10.000 directores e actores de um ramo abalado pela guerra e pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
Apesar da pressão sobre os preços da gasolina, o secretário de Energia, Chris Wright, argumentou na abertura do evento que estas perturbações são “temporárias”. Mais tarde, à uma cadeia televisiva internacional, Wright dirigiu-se ao povo americano sublinhando que, embora atravessem turbulências no curto prazo, as vantagens no longo prazo serão “enormes” para as futuras gerações.
Medidas e Retaliações
Entre as medidas para reduzir os custos, os Estados Unidos suspenderam parte das sanções ao petróleo russo e iraniano. Contudo, grandes dirigentes do Golfo, como os das gigantes Saudi Aramco (Arábia Saudita) e Adnoc (Emirados Árabes Unidos), cancelaram a sua participação no fórum. Numa mensagem de vídeo, o director-geral da Adnoc, Sultan Al-Jaber, classificou o bloqueio de Ormuz pelo Irão como “terrorismo económico”, defendendo que nenhum país deve fazer daquela via um refém.
O CEO da Chevron, Mike Wirth, alertou que o mercado tendeu a subestimar o conflito. Segundo o responsável, a Ásia enfrenta preocupações reais de abastecimento e, mesmo após o fim das hostilidades, será necessário tempo para reconstruir reservas e reparar a infraestrutura danificada. No mesmo sentido, Patrick Pouyanné, da TotalEnergies, previu preços de gás muito elevados até ao verão boreal caso a passagem não seja reaberta, antecipando dificuldades para a Europa no próximo inverno.
Mudança de Paradigma Energético
Durante o evento, anunciou-se que a TotalEnergies irá recuperar cerca de 1 bilião de dólares do governo americano como compensação pelo abandono de projectos eólicos marinhos.
A gigante francesa revelou que irá reinvestir este montante em energias fósseis no país, especialmente em projectos de gás natural liquefeito (GNL). Enquanto o governo anterior de Joe Biden fomentou as energias limpas, a actual governação de Trump retomou o apoio ao carvão, petróleo e gás.
“Este governo acredita nas realidades energéticas, não nos fantasmas climáticos”, afirmou o secretário do Interior, Doug Burgum.
À margem do fórum, cerca de 100 manifestantes protestavam contra os danos ambientais e o uso desmedido de água pela indústria petroquímica. “A guerra no Médio Oriente está ligada ao petróleo”, destacou Michael Crouch, médico reformado presente no protesto, sublinhando que o poder político é agora “descaradamente honesto” sobre essa ligação.
R7.com
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