Miramar News Moçambique Mateus Saíze lança Grupo Técnico de Revisão do Código de Processo Penal 

Mateus Saíze lança Grupo Técnico de Revisão do Código de Processo Penal 

Ministro da Justiça defende equilíbrio entre o combate ao crime organizado e a salvaguarda das garantias constitucionais dos cidadãos

O Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saíze, presidiu esta segunda-feira, em Maputo, à cerimónia de lançamento oficial do Grupo Técnico de Revisão do Código de Processo Penal. O evento contou com a participação do Presidente do Tribunal Supremo, Adelino Muchanga, do Procurador-Geral da República, Américo Letela, e da Alta-Comissária Britânica para Moçambique, Helen Lewis.  

No seu discurso, o governante classificou a reforma como uma necessidade jurídica e social premente, imposta pela evolução do fenómeno criminal e pela urgência de modernizar as instituições de justiça. 

O ministro sublinhou que a revisão legislativa transcende o plano puramente técnico, constituindo uma oportunidade estratégica para recuperar e consolidar a confiança pública no sistema judicial. O enfoque principal da reforma reside na criação de instrumentos processuais céleres e eficazes para fazer face às novas dinâmicas da criminalidade sofisticada e transnacional, como o crime organizado, o branqueamento de capitais, o financiamento ao terrorismo, os crimes ambientais e a criminalidade cibernética, alinhando o ordenamento jurídico moçambicano com as melhores práticas e padrões internacionais. 

Mateus Saíze acentuou que a eficácia na repressão criminal não deve ser alcançada em prejuízo dos direitos humanos. O governante defendeu um equilíbrio rigoroso entre a segurança colectiva e o respeito escrupuloso pelas garantias constitucionais, tais como a presunção de inocência, o princípio do contraditório e o direito de defesa.  

O novo texto legal deverá, por isso, simplificar os procedimentos administrativos e reduzir de forma substancial a morosidade processual que afecta o sector. 

A concluir, o titular da pasta da Justiça apelou aos membros do grupo recém-criado para que conduzam as actividades com rigor científico e abertura ao direito comparado. O ministro frisou a importância de o processo incorporar contribuições alargadas de magistrados, advogados, académicos e organizações da sociedade civil, assegurando a legitimidade social do documento final.  


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