A Ministra das Finanças, Carla Loveira, manteve esta segunda-feira, um encontro de trabalho com Thomas Revial, Chefe do Departamento dos Assuntos Multilaterais e Desenvolvimento e Co-Presidente do Clube de Paris.
À margem do Fórum de Paris, a governante moçambicana apresentou o ponto de situação macroeconómico do país, detalhando a trajectória de recuperação após choques recentes, o impacto das crises políticas e as reformas estruturais em curso.
No plano retrospectivo, a ministra partilhou que a economia nacional cresceu 5,5% em 2023, impulsionada pelo início da exploração de Gás Natural Liquefeito (GNL) na Área 4 (Plataforma Coral Sul). Contudo, o último trimestre de 2024 enfrentou uma forte contracção de 4,9% no PIB, devido à paralisação económica e vandalização de infra-estruturas decorrentes das manifestações pós-eleitorais de outubro, fixando o crescimento anual desse ano em 2,15%. Já em 2025, o cenário inverteu-se com uma recuperação de 5,1% no quarto trimestre, ancorada pelo bom desempenho do sector primário, nomeadamente a mineração, a pesca e a agricultura.
Para o presente ano, as projecções do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE 2026) apontam para um crescimento moderado do PIB de 2,8%. Esta estabilidade macroeconómica é sustentada por uma inflação controlada em um dígito (3,7%) e por Reservas Internacionais Líquidas fixadas em 3.234 milhões de dólares, o suficiente para garantir cerca de 4,4 meses de importações.
A consolidação deste cenário é também impulsionada por reformas chave, com destaque para a saída oficial de Moçambique da Lista Cinzenta internacional.
Carla Loveira destacou ainda avanços institucionais cruciais, como a aprovação do Banco de Desenvolvimento de Moçambique (BDM) e a plena operacionalização do Fundo Soberano, que canaliza 60% dos seus recursos para o financiamento do PESOE e os restantes 40% para poupança e investimentos em mercados externos. Foi também detalhado o Plano Operacional da Estratégia da Dívida Pública 2025–2029, elaborado com o apoio da consultoria internacional Alvarez & Marsal.
Thomas Revial reagiu com expectativa positiva face aos indicadores apresentados, assinalando que o encaixe financeiro proveniente do Gás da Bacia do Rovuma será determinante para consolidar o crescimento do PIB a médio prazo, embora o Executivo reconheça que a execução orçamental continua exposta a riscos fiscais que exigem monitoria contínua.
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