O Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD) alertou, esta quinta-feira, em Maputo, que a transformação digital e a inteligência artificial podem tornar-se novas formas de exclusão caso não sejam desenhadas com base nos direitos humanos.
Durante a conferência sobre “Direitos, Inclusão Digital e Acessibilidade”, o presidente da organização, Zeca Chaúque, apontou que o fosso digital no país afecta de forma desproporcional as pessoas com deficiência.
Os dados apresentados indicam que, apesar dos progressos que colocam a penetração da Internet em Moçambique perto dos 20% no final de 2025, a esmagadora maioria da população continua offline, sendo que as mulheres com deficiência representam o grupo mais marginalizado no acesso a telemóveis, computadores e conectividade.
Diante desta realidade, o FAMOD criticou o facto de muitos investimentos actuais em inovação e infra-estruturas digitais continuarem a avançar sem metas orçamentais para a acessibilidade ou para a aquisição de tecnologias assistivas, como leitores de ecrã e softwares adaptados.
Sob o lema “Nada sobre nós sem nós”, Zeca Chaúque defendeu que nenhum projecto público, privado ou de cooperação internacional deve ser financiado sem que existam mecanismos de prestação de contas e a participação efectiva das organizações de pessoas com deficiência na sua concepção.
A organização espera que o encontro resulte em compromissos práticos e directrizes nacionais para garantir que a modernização tecnológica seja, efectivamente, um instrumento de igualdade, autonomia e dignidade para todos os cidadãos.

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