
O cenário na Venezuela, edifícios reduzidos a escombros em menos de um minuto e a dificuldade técnica no resgate de soterrados, serve como um alerta global, mas também como um espelho para as vulnerabilidades de outras nações, incluindo Moçambique.
O Risco Geológico em Moçambique
Embora o país não esteja no topo das preocupações mundiais sobre grandes terremotos, especialistas alertam que a falsa sensação de segurança pode ser perigosa. Segundo o geólogo Gabriel Balate, o país não é imune. A atividade sísmica moçambicana está ligada ao Rift Africano, que atravessa o território nacional de norte a sul.
O mapa de risco sísmico de Moçambique aponta duas zonas críticas:
- Faixa Central: Uma grande extensão que corta as províncias de Niassa, Zambézia, Manica e Sofala, terminando ao norte de Inhambane e Gaza (distritos de Mabote e Machanga).
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Zona Marítima: Ao longo da costa, próximo à baía de Pemba, área onde se concentra atualmente a exploração de recursos minerais.
O engenheiro civil Silva Magaia recorda que o país já viveu um evento marcante em fevereiro de 2006, com epicentro em Machaze, que foi sentido até em Maputo. “A existência de registros históricos aumenta a nossa vulnerabilidade porque acreditamos nas estatísticas e dizemos que a região é segura, mas essa segurança não está confirmada”, adverte Magaia.
O Alerta para a Engenharia e a Tecnologia
Um dos pontos centrais desta reportagem é a dependência excessiva de softwares de cálculo estrutural por parte dos jovens engenheiros. Silva Magaia enfatiza que o computador é uma ferramenta rápida, mas carece de análise crítica e sensibilidade técnica de um humano experiente.
“Construir em Maputo não é o mesmo que construir em Cabo Delgado ou perto do Lago Niassa”, explica o engenheiro. Para ele, é imperativo que os projetos em zonas de risco considerem variáveis sísmicas específicas, e não apenas as cargas gravitacionais usuais, para garantir que as estruturas possam suportar abalos sem colapsar.
Preparação e Sobrevivência: O que fazer?
Além da infraestrutura, a educação da população é vital. Em casos de sismo, medidas simples podem salvar vidas:
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Rotas de Fuga: Edifícios altos (a partir do 5º andar) devem possuir escadas de emergência externas ao núcleo do edifício, já que o centro da estrutura é o local mais difícil para o resgate em caso de desabamento.
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Dentro de Casa: Em salas amplas, a recomendação é buscar os cantos do compartimento, onde a estrutura das paredes costuma ser mais rígida.
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Kit de Sobrevivência: Manter itens básicos, como lanternas e água, é crucial. Em situações de soterramento, a luz de uma lanterna pode ser o diferencial para ser localizado pelas equipas de busca.
Atualmente, o país avançou na monitorização, contando com uma rede de 18 estações sísmicas (12 financiadas pelo Banco Mundial e 6 pelo Orçamento Geral do Estado), o que permite uma detecção mais precisa. No entanto, o consenso dos especialistas é claro: a prevenção não deve ser tratada como alarme, mas como uma estratégia de prontidão essencial para um país que, historicamente, já sentiu a terra tremer.
Veja a reportagem Especial da Miramar na integra:
Ameaça Sísmica: Estaria Moçambique Preparado para o "Improvável"? @MiramarNews
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