Miramar News Moçambique Ameaça Sísmica: Estaria Moçambique Preparado para o “Improvável”?

Ameaça Sísmica: Estaria Moçambique Preparado para o “Improvável”?

O recente terremoto duplo que devastou Caracas e La Guaira, na Venezuela, com magnitudes de 7.2 e 7.5 na escala Richter, reacendeu o debate sobre a resiliência das infraestruturas em Moçambique perante eventos sísmicos

Embora Moçambique não esteja no topo das preocupações mundiais sobre grandes terremotos, especialistas alertam que a falsa sensação de segurança pode ser perigosa

O cenário na Venezuela, edifícios reduzidos a escombros em menos de um minuto e a dificuldade técnica no resgate de soterrados, serve como um alerta global, mas também como um espelho para as vulnerabilidades de outras nações, incluindo Moçambique.

O Risco Geológico em Moçambique

Embora o país não esteja no topo das preocupações mundiais sobre grandes terremotos, especialistas alertam que a falsa sensação de segurança pode ser perigosa. Segundo o geólogo Gabriel Balate, o país não é imune. A atividade sísmica moçambicana está ligada ao Rift Africano, que atravessa o território nacional de norte a sul.

O mapa de risco sísmico de Moçambique aponta duas zonas críticas:

  1. Faixa Central: Uma grande extensão que corta as províncias de Niassa, Zambézia, Manica e Sofala, terminando ao norte de Inhambane e Gaza (distritos de Mabote e Machanga).
  2. Zona Marítima: Ao longo da costa, próximo à baía de Pemba, área onde se concentra atualmente a exploração de recursos minerais.

O engenheiro civil Silva Magaia recorda que o país já viveu um evento marcante em fevereiro de 2006, com epicentro em Machaze, que foi sentido até em Maputo. “A existência de registros históricos aumenta a nossa vulnerabilidade porque acreditamos nas estatísticas e dizemos que a região é segura, mas essa segurança não está confirmada”, adverte Magaia.

O Alerta para a Engenharia e a Tecnologia

Um dos pontos centrais desta reportagem é a dependência excessiva de softwares de cálculo estrutural por parte dos jovens engenheiros. Silva Magaia enfatiza que o computador é uma ferramenta rápida, mas carece de análise crítica e sensibilidade técnica de um humano experiente.

“Construir em Maputo não é o mesmo que construir em Cabo Delgado ou perto do Lago Niassa”, explica o engenheiro. Para ele, é imperativo que os projetos em zonas de risco considerem variáveis sísmicas específicas, e não apenas as cargas gravitacionais usuais, para garantir que as estruturas possam suportar abalos sem colapsar.

Preparação e Sobrevivência: O que fazer?

Além da infraestrutura, a educação da população é vital. Em casos de sismo, medidas simples podem salvar vidas:

  • Rotas de Fuga: Edifícios altos (a partir do 5º andar) devem possuir escadas de emergência externas ao núcleo do edifício, já que o centro da estrutura é o local mais difícil para o resgate em caso de desabamento.

  • Dentro de Casa: Em salas amplas, a recomendação é buscar os cantos do compartimento, onde a estrutura das paredes costuma ser mais rígida.

  • Kit de Sobrevivência: Manter itens básicos, como lanternas e água, é crucial. Em situações de soterramento, a luz de uma lanterna pode ser o diferencial para ser localizado pelas equipas de busca.

Atualmente, o país avançou na monitorização, contando com uma rede de 18 estações sísmicas (12 financiadas pelo Banco Mundial e 6 pelo Orçamento Geral do Estado), o que permite uma detecção mais precisa. No entanto, o consenso dos especialistas é claro: a prevenção não deve ser tratada como alarme, mas como uma estratégia de prontidão essencial para um país que, historicamente, já sentiu a terra tremer.

Veja a reportagem Especial da Miramar na integra:

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