Salvado Raisse afirmou, em debate no programa “Economia e Negócios”, que a contestação da Federação Moçambicana dos Empreiteiros (FME) relativamente aos concursos públicos é um posicionamento expectável, dado que o mercado da contratação em Moçambique está marcado por indícios de corrupção.
Segundo o comentador, é recorrente a atribuição de projectos a empresas estrangeiras em detrimento das nacionais, mesmo quando as vencedoras apresentam propostas com omissão de cerca de 30% dos custos reais.
O analista sublinhou que a falta de transparência tem consequências directas na durabilidade das infraestruturas. Como prova desta realidade, fez menção as obras na região metropolitana de Maputo que, apenas três dias após a inauguração oficial, ficou completamente alagada com a queda de chuva, o que demonstra uma falha grave na fiscalização e na execução da obra.
No que toca aos mecanismos de integridade, Raisse descreveu o que chama de “doenças da contratação pública”, referindo-se ao pagamento de comissões ilegais de 10% para a obtenção de contratos e outros 10% para garantir o desembolso dos valores. Para o comentador, esta prática já se tornou “senso comum” e impede que as instituições exijam qualidade aos empreiteiros, uma vez que parte do orçamento é desviada para subornos.
Perante este cenário, o comentador defe que a Procuradoria-Geral da República (PGR) deve pronunciar-se de forma célere e pontual, criticando o facto de a queixa da FME estar sem resposta há quase um ano.
Salvado Raisse apelou ainda ao Banco Mundial para que active o seu braço investigativo, defendendo que é necessário responsabilizar os envolvidos e seleccionar empresas sérias que garantam obras resistentes aos desafios climáticos do país.
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