O Governo do Quénia e a Federação Russa alcançaram um entendimento diplomático para interromper o recrutamento de cidadãos quenianos para combater ao lado das forças russas na Ucrânia. O anúncio foi feito nesta segunda-feira, 16 de março, pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Musalia Mudavadi, após uma reunião de alto nível com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, na capital russa.
Segundo o governante queniano, ficou estabelecido que os seus nacionais deixarão de ser elegíveis para o alistamento através do Ministério da Defesa da Rússia, colocando um ponto final na integração de combatentes daquela nação africana no conflito.
Durante a sua intervenção, Mudavadi sublinhou a importância de garantir o bem-estar dos quenianos que já se encontram em território russo, especialmente os envolvidos no que Moscovo denomina “operação especial”. Para tal, serão organizados serviços consulares através dos canais diplomáticos adequados para prestar a assistência necessária aos cidadãos que dela precisem.
O Ministro enfatizou que Nairobi pretende que a parceria com a Rússia seja definida por uma agenda muito mais ampla e produtiva, e não apenas sob a óptica do conflito na Ucrânia.
Por seu turno, o Ministro Sergei Lavrov afirmou que os cidadãos quenianos que se juntaram ao exército russo o fizeram através da assinatura voluntária de contratos. Contudo, a questão ganhou contornos de urgência após um relatório da inteligência queniana, apresentado ao parlamento em fevereiro, revelar que mais de 1.000 quenianos teriam sido recrutados para a guerra, um número cinco vezes superior às estimativas iniciais das autoridades de Nairobi.
O desmantelamento desta rede de recrutamento surge após denúncias de políticos quenianos sobre a existência de sindicatos de tráfico humano que, alegadamente em colusão com funcionários estatais corruptos, facilitavam o envio de jovens para a frente de combate.
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