Miramar News África Ensaio clínico para tratamento da Ébola de Bundibugyo arranca na República Democrática Congo 

Ensaio clínico para tratamento da Ébola de Bundibugyo arranca na República Democrática Congo 

Testes com anticorpos experimentais e o antiviral remdesivir vão abranger mais de mil pacientes para travar a epidemia

O ensaio clínico para o tratamento do surto de Ébola da estirpe Bundibugyo, na República Democrática do Congo (RDC), registou o seu primeiro paciente na última quinta-feira. O avanço assinala um marco importante nos esforços internacionais para conter a epidemia que fustiga o país africano.  

O estudo, que poderá estender-se por vários meses e prevê abranger mais de mil doentes, vai avaliar a eficácia do anticorpo experimental MBP134, desenvolvido pela Mapp Biopharmaceutical, tanto de forma isolada como em combinação com o antiviral remdesivir, produzido pela Gilead Sciences. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o stock de medicamentos disponível é suficiente para a realização dos testes. A agência internacional adiantou que mantém conversações com o Governo dos Estados Unidos, responsável pela doação do MBP134, e com a farmacêutica Gilead para assegurar o acesso contínuo aos fármacos pós-ensaio, caso estes comprovem a sua segurança e eficácia no terreno.  

A farmacêutica confirmou a doação de mais de duas mil ampolas de remdesivir para reforçar o estudo clínico, que se somam a um lote idêntico enviado em Junho para uso de emergência. 

A situação epidemiológica na RDC permanece preocupante, com o país a registar uma média de 38 novos casos diários confirmados nas últimas duas semanas. O director do laboratório em Bunia, Placide Mbala, explicou que os investigadores estimam recrutar pelo menos 500 participantes nesta fase inicial para gerar resultados robustos e fidedignos.  

O especialista apontou que a iniciativa vai ajudar a identificar a abordagem terapêutica mais eficaz para os pacientes infectados e, simultaneamente, fortificar a capacidade de resposta e prontidão do sistema de saúde perante futuros surtos da doença. 

Paralelamente aos ensaios médicos, as autoridades de saúde continuam em contrarrelógio para expandir a assistência logística. A OMS indicou que a capacidade de internamento foi alargada para 650 camas, estando planeada a adição de mais 300 unidades.  

O cenário actual é de forte pressão sobre o sistema sanitário, uma vez que a quase totalidade das camas disponíveis se encontra ocupada, reflectindo a intensidade do trabalho das equipas médicas na linha da frente do combate à epidemia. 


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