O actual surto de Ébola na República Democrática do Congo registou o maior volume de casos confirmados durante o primeiro mês de contágio em comparação com qualquer outro surto já documentado no continente africano. O alerta foi emitido por um alto funcionário da Organização Mundial da Saúde (OMS), durante uma conferência de imprensa realizada em Genebra.
A estirpe Bundibugyo, que já infectou mais de mil pessoas e provocou a morte de 267 cidadãos no território congolês, enfrentou uma detecção tardia por parte dos serviços de saúde. Especialistas estimam que o vírus já circulava activamente entre as comunidades locais há vários meses antes de o surto ser formalmente declarado pelas autoridades de saúde no passado dia 15 de maio.
Historicamente, as duas maiores crises sanitárias causadas pelo Ébola antes do actual cenário ocorreram na África Ocidental (afectando a Guiné, Serra Leoa e Libéria), onde perderam a vida cerca de 11 mil pessoas entre 2014 e 2016, seguidas por um surto com menor taxa de letalidade registado no próprio Congo no biénio de 2018-2019.
O representante da OMS, Abdirahman Mahamud, que regressou recentemente de Bunia, o epicentro do actual surto, apresentou dados estatísticos comparativos para ilustrar a agressividade da presente transmissão. “Foram necessários 78 dias para alcançar as 250 mortes durante o surto da África Ocidental de 2014 e 2016. No surto anterior, de 2018-2019, o processo demorou 130 dias, mas para este surto bastaram apenas 37 dias”, explicou o especialista.
Dados partilhados pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos da América indicam que a região da África Subsariana já contabilizou mais de duas dezenas de surtos desta natureza ao longo da história médica.
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