Casos alarmantes de furtos em locais de culto religioso e residências têm levantado preocupações sobre o enfraquecimento dos valores morais na sociedade moçambicana. A Miramar entrevistou crentes que relataram ter sido vítimas de furtos enquanto louvavam a Deus, inclusive dentro das próprias congregações.
Um dos casos mais marcantes envolve Júlio Hany, um trabalhador que perdeu a sua viatura durante uma vigília religiosa na Matola Rio. Ele afirma que esteve perto de recuperar o carro, mas viu-se frustrado pela falta de apoio imediato. Para agravar a situação, Júlio relata ter enfrentado tentativas de extorsão por parte de alguns agentes do SERNIC envolvidos no caso.
Outro episódio semelhante ocorreu na Matola, onde uma mulher viu a sua viatura desaparecer misteriosamente numa manhã de domingo. Os furtos não se limitam a veículos — os criminosos têm invadido igrejas, subtraindo bens da congregação e artigos pessoais dos fiéis.
No Bairro da Mafalala, uma igreja foi assaltada durante a noite. Os criminosos aproveitaram-se de falhas na segurança — segurança essa que muitos consideram desnecessária em locais sagrados — para roubar pertences da igreja. Em Mavalane, os fiéis também denunciaram ações constantes de malfeitores. No Bairro São Dâmaso, os furtos repetiram-se por quatro ocasiões, levando os membros da congregação a construírem um armazém dentro da própria igreja para proteger os bens, medida que, infelizmente, não impediu os criminosos de agirem até mesmo à luz do dia.
O episódio mais recente culminou com a captura de um dos assaltantes pela população. A intervenção de um líder religioso evitou o linchamento e permitiu a entrega do cidadão, de 40 anos, à 6.ª Esquadra da Polícia. Durante o interrogatório, o acusado confessou o crime e alegou ter sido motivado pelo desemprego.
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