
Vídeos e relatos apontam recrutamento de estrangeiros pobres, promessas falsas e exploração extrema no front
O Exército da Rússia estaria utilizando mercenários africanos como combatentes descartáveis em missões suicidas contra militares ucranianos, segundo denúncias divulgadas por jornalistas e autoridades da Ucrânia.
As acusações indicam que esses soldados seriam forçados a avançar com minas terrestres presas ao corpo para detonar bunkers inimigos, poupando tropas russas.
Imagens publicadas pelo jornalista alemão Julian Roepcke, do jornal Bild, mostram um homem identificado como Francis com um explosivo amarrado ao peito, sendo ameaçado com um fuzil e obrigado a se deslocar por uma posição subterrânea. No vídeo, o homem levanta as mãos enquanto é conduzido sob coerção armada.
De acordo com Roepcke, o Exército russo passou a chamar esses combatentes estrangeiros de “otkryvala”, termo russo que significa algo como “abridor de lata”. A função atribuída a eles seria correr até as posições ucranianas com uma mina TM-62 presa ao corpo e se explodir, abrindo caminho para ataques posteriores de outras unidades.
Outro vídeo citado nas denúncias mostra um grupo de africanos cantando e dançando na neve, supostamente para manter o moral. Em contraste, um soldado russo, falando em seu próprio idioma para não ser compreendido, ironiza a situação ao dizer que há muitos “descartáveis” disponíveis e afirma que eles cantarão de forma diferente quando chegarem à linha de frente.
As denúncias surgem em meio à revelação de que a Rússia recrutou, apenas em dezembro, cerca de 150 estrangeiros de 25 países para lutar na guerra contra a Ucrânia. Outros 200 estariam se preparando para se alistar, vindos de nações do espaço pós-soviético e do Sul Global, como Belarus, Tajiquistão, Uzbequistão, Cuba, Quênia e China. Entre os principais atrativos estariam pagamento, facilitação de cidadania russa e anistia para criminosos.
O chefe do Serviço de Inteligência Estrangeira da Ucrânia, Oleh Ivashchenko, afirmou que Moscou explora deliberadamente a instabilidade econômica de países mais pobres e a falta de caminhos legais de migração, transformando essas fragilidades em instrumentos de controle. Segundo ele, a presença de estrangeiros é usada pela propaganda russa como prova de apoio do chamado mundo não ocidental.
Casos individuais reforçam as acusações de engano no recrutamento. Um sul-africano identificado como Dubandlela relatou que seu filho, de 20 anos, se alistou acreditando que receberia treinamento de elite para atuar como segurança privado na Rússia. Meses depois, a família afirma que o jovem foi enviado ao conflito na Ucrânia junto com outros homens que dizem ter sido vítimas de um esquema fraudulento.
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia alertou para programas ilegais russos de aliciamento de jovens africanos e pediu que governos e veículos de imprensa do continente atuem para barrar essas iniciativas.
O porta-voz Heorhii Tykhyi afirmou que Moscou também ampliou drasticamente o número de bolsas para estudantes africanos, classificando a medida como parte de uma estratégia de recrutamento disfarçada. Em novembro, a filha do ex-presidente sul-africano Jacob Zuma deixou o cargo de deputada após acusações de ter induzido homens a viajar para a Rússia sob a promessa de treinamento legal.





















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