PROVÍNCIA DE MAPUTO – O que era para ser o “salto tecnológico” na segurança pública de Moçambique transformou-se, dez anos depois, num monumento público. O Sistema Integrado de videovigilância, anunciado em 2016 com pompa e circunstância, apresenta hoje sinais claros de possível de morte técnica, deixando as zonas urbanas e os principais corredores rodoviários à mercê da criminalidade impune.
O Contraste: Inteligência Global vs. Cegueira Local
Enquanto metrópoles globais utilizam a tecnologia para apertar o cerco ao crime, Moçambique parece caminhar em sentido contrário. Em cidades brasileiras como São Paulo, o sistema Smart Sampa já foi responsável pela captura de mais de mil criminosos e pela localização de pessoas desaparecidas, integrando inteligência artificial para detectar condutores sem cinto, uso de telemóvel e viaturas com documentação irregular.
Em solo moçambicano, o cenário é de uma “cegueira” selectiva:
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Impunidade nas Ruas: Sequestros continuam a aterrorizar o empresariado, mortes suspeitas de cidadãos e de agentes da lei permanecem sem esclarecimento, e o roubo de viaturas é uma constante — tudo isto sob o “olhar” de câmaras que, aparentemente, nada registam.
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Caos Rodoviário: Na estrada, viaturas sem condições mecânicas e em situação de superlotação circulam livremente, ignorando os dispositivos instalados.
O “Cemitério Eletrónico”
A reportagem constatou na estada nacional N1, na zona do distrito da Manhiça, um dos pontos mais mortal da sinistralidade rodoviária no país, o estado deplorável dos equipamentos. O investimento, que custou aos cofres do Estado cerca de 140 milhões de dólares na época, resume-se agora a lentes opacas pela sujidade, cabos decepados, suportes oxidados e descanso para os pássaros.
Moradores locais confirmam o abandono: “Não vemos manutenção há anos. Estão ali apenas para enfeite”, desabafam.

Posicionamento Institucionais e Novos Gastos
Apesar das evidências físicas de degradação, a Polícia da República de Moçambique (PRM) mantém o discurso oficial de que o sistema está operacional. O Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários (INATRO) anunciou investimento 7 milhões de dólares num novo sistema digital de fiscalização.



















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