“OS MAMBAS SERÃO GOLEADOS, NÃO JOGAM NADA E HOJE TEM UM BOM ADVERSÁRIO”

Por: Jorge Matavel
 
Se há milhares de moçambicanos que acreditam, vibram e torcem pela vitória dos Mambas diante das Super Águias, também há quem observe para este momento com inquietação, mais habituado à linguagem da derrota do que ao vocabulário da esperança.
 
Opta por estimular discursos como “os Mambas serão goleados, não jogam nada e hoje encontraram um bom adversário”, “Não há como passar. Nigéria é forte, tem Osimhen, Lookman”. Vozes que parecem competir pelo título de mais pessimistas do país. Vozes que esquecem que futebol também é coragem, esperança e surpresa. Vozes que esquecem que temos Reinildo, Mexer, Calila, Catamo, Dominguez e vale pelo colectivo e não por individualidades.
 
O antigo Presidente da República chamaria a estes verdadeiros “apóstolos da desgraça”, pregadores que, antes do apito inicial, já decretam fracasso, como se acreditar fosse pecado e apoiar Moçambique, crime.
 
A qualificação dos Mambas para os oitavos-de-final, um feito histórico, despertou em muitos o orgulho colectivo, mas noutros provocou desconforto difícil de disfarçar. A vitória diante do Gabão, em vez de festa, trouxe silêncio pesado, olhares desconfiados e explicações apressadas.
 
Uns porque sempre escolheram caminhar na contramão da alegria comum; outros porque, no futebol moderno, a fé, o patriotismo, por vezes perde espaço para apostas desportivas. Outros porque temem apoiar o seu país porque o patrão, o dono de “rodja”, não vai gostar e pode ficar sem emprego.
 
Ainda assim, são filhos do mesmo chão. Apenas caminham noutra estação do sonho. Surgem quando o céu ameaça chuva e recolhem-ss quando o sol insiste em nascer.
 
Seja qual for o resultado de hoje, a presença dos Mambas nesta fase já é, por si só, uma vitória. Hoje, os Mambas entram em campo com vitória antecipada porque chegaram onde muitos queriam chegar. Os nossos briosos Mambas colocaram Moçambique na história.
 
Por isso, hoje os Mambas entrarão leves, soltos, a divertir-se. O futebol é também alegria, entrega e honra. Há uma promessa do Presidente Chapo de 500 mil meticais à espera, mas há algo maior a pulsar: um país inteiro que voltou a pulsar: um país que voltou a sonhar.
 
E não é de hoje que esta selecção vem dando sinais de crescimento. No último CAN, os Mambas empataram com Egipto e Gana, selecções de peso, de história e de estrelas. Não foi acaso. Foi trabalho. Foi maturidade. Foi crença.
 
Que hoje joguem como quem sabe de onde vem e para quem joga.
 
Que joguem por si, pela bandeira e pelo povo que a partir das 20h de hoje estará a acompanhar tudo pela Miramar.