O Programa Alimentar Mundial das Nações Unidas anunciou, esta quarta-feira, que será forçado a suspender, até ao final de Julho, a assistência alimentar e nutricional a 1,3 milhões de pessoas no nordeste da Nigéria, uma região afectada pela insurgência, devido ao esgotamento dos seus stocks.
A crise resulta de graves insuficiências de financiamento, agravadas pelo desmantelamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) sob a presidência de Donald Trump, o que levou a cortes globais na ajuda humanitária. Em 2023, a USAID foi responsável por 45% do financiamento do PAM para o nordeste da Nigéria.
“Neste momento, todos os armazéns do PAM estão vazios… Esta situação surge numa altura extremamente difícil, pois estamos no auge da época de escassez, quando a insegurança alimentar atinge níveis mais críticos, e já não temos fundos para manter as operações”, afirmou Trust Mlambo, chefe de programas do PAM em Maiduguri.
Os stocks de alimentos e suplementos nutricionais do PAM esgotaram-se após a última distribuição, realizada no início de Julho. A assistência vital será interrompida assim que forem concluídas as entregas actualmente em curso.
Mais de 150 clínicas de nutrição apoiadas pelo PAM nos estados de Borno e Yobe estão a encerrar, interrompendo o tratamento potencialmente salvador para mais de 300 mil crianças com menos de dois anos de idade.
A violência no nordeste da Nigéria já provocou centenas de mortes e forçou o deslocamento de, pelo menos, dois milhões de pessoas. Sem novos fundos, o PAM alerta que as populações vulneráveis poderão ser obrigadas a migrar em busca de alimentos e abrigo.
A agência estima precisar de 131 milhões de dólares para continuar as suas operações naquela região até ao final do ano.






















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