Centenas de residentes da cidade de Goma, no Leste da República Democrática do Congo, saíram às ruas numa marcha pacífica para protestar contra os recentes ataques de drones que vitimaram civis.
A mobilização popular surge na sequência de bombardeamentos registados na madrugada de quarta-feira, que atingiram zonas residenciais da cidade ribeirinha e causaram a morte de pelo menos três pessoas. Entre as vítimas mortais figura um cidadão de nacionalidade francesa, que se encontrava ao serviço da UNICEF, a agência das Nações Unidas para a infância.
O protesto teve o seu início na rotunda de Signers, de onde os manifestantes partiram em direcção ao quartel-general da Missão de Estabilização das Nações Unidas na RDC (MONUSCO).
Exibindo cartazes com pedidos de justiça e segurança, a população exigiu uma resposta clara sobre a autoria e os motivos de ataques que atingem áreas densamente povoadas, agravando a crise humanitária que se vive na região. A tensão em Goma tem sido uma constante, especialmente após a cidade ter sido ocupada, no ano passado, pelos rebeldes da coligação AFC/M23.
No que toca à responsabilidade pelo incidente, o cenário é de troca de acusações e silêncio oficial. Os rebeldes do M23 apressaram-se a atribuir a autoria dos ataques às Forças Armadas da República Democrática do Congo (FARDC), alegando que o Governo de Kinshasa terá lançado drones contra zonas civis.
Por outro lado, até ao momento, o exército congolês escusou-se a tecer comentários sobre o sucedido, mantendo-se o Governo central igualmente em silêncio perante os pedidos de esclarecimento da imprensa e da comunidade internacional.
Este novo episódio de violência sublinha a fragilidade da segurança no Leste do Congo, onde o uso de novas tecnologias de guerra, como drones, está a elevar o risco para as populações civis e para o pessoal humanitário.
Enquanto a investigação não avança, o sentimento de insegurança prevalece em Goma, com os residentes a apelarem a uma intervenção mais eficaz das forças de manutenção de paz para evitar que os bairros residenciais se transformem em campos de batalha entre o exército e os grupos rebeldes.
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