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Etiópia dá o “ponta-pé de saída” para erguer o maior aeroporto de África

Gigante de 12,5 mil milhões de dólares já sai do papel: O projecto faraónico que vai ligar a África ao resto do mundo com um luxo e rapidez nunca antes vistos no solo africano

Etiópia dá o "ponta-pé de saída" para erguer o maior aeroporto de África
Bishoftu International Airport será a maior infraestrutura de aviação do continente africano

ADDIS ABEBA – A Etiópia acaba de carimbar o seu passaporte para o futuro da aviação civil no continente. Já arrancaram oficialmente as obras daquela que será a maior placa aeroportuária de África, um projecto faraónico orçado em 12,5 mil milhões de dólares norte-americanos, que promete transformar a região num autêntico hub global.

O novo aeroporto, localizado em Bishoftu (cerca de 40 km da capital, Addis Abeba), não é apenas uma obra de engenharia; é o “braço de ferro” da Ethiopian Airlines para consolidar a sua hegemonia nos céus africanos. Com a primeira fase prevista para estar concluída em 2029, a infra-estrutura terá capacidade para acolher 60 milhões de passageiros anualmente, mas a meta final é atingir os 110 milhões — quase quatro vezes a capacidade do actual Aeroporto Internacional Bole.

O financiamento que “levanta voo”

Para tirar este gigante do papel, a Ethiopian Airlines conta com um parceiro de peso: o Banco Africano de Desenvolvimento (AfDB). Através de uma parceria estratégica, foi garantido um pacote de financiamento que ronda os 10 mil milhões de dólares, provando que o investimento em infra-estruturas de grande vulto continua a ser a prioridade para alavancar a economia do continente.

Akinwumi Adesina, presidente do AfDB, sublinhou que este projecto não serve apenas a Etiópia, mas sim toda a África, facilitando o comércio no âmbito da Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA).

Novo aeroporto na Etiópia terá capacidade para até 110 milhões de passageiros por ano

Tecnologia e “mãos à obra”

A construção, que já está a mexer com o terreno, contará com o know-how de consultoras internacionais, incluindo a conceituada empresa de design e engenharia Sidara. O plano arquitectónico prevê quatro pistas de última geração e terminais que reflectem a identidade etíope, mas com uma funcionalidade que “bate” qualquer aeroporto europeu ou asiático.

O que isto significa para a região?

Enquanto em muitos cantos do continente, incluindo Moçambique, ainda se discute a precariedade das ligações aéreas, a Etiópia está a “pôr a mão na massa”. Este novo aeroporto vai criar milhares de postos de trabalho directos e indirectos, desde a construção civil até aos serviços de logística e hotelaria.

Para os moçambicanos e outros passageiros da região austral que utilizam frequentemente Addis Abeba como escala para a Europa, Americas e Ásia, esta nova infra-estrutura significa o fim dos apertos e das demoras no actual aeroporto.

Um gigante que não quer parar

Com este passo, a Ethiopian Airlines — que já é a maior e mais lucrativa companhia aérea de África — deixa um recado claro: o céu não é o limite. Numa altura em que a economia global enfrenta turbulências, a Etiópia decide investir no betão e na tecnologia para garantir que, amanhã, todas as rotas do mundo continuem a passar por África.

Agora, resta-nos esperar que as obras corram “sem sobressaltos” e que, dentro de poucos anos, possamos aterrar nesta que será a nova jóia da aviação africana.


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