O controlo da Rússia sobre a sua principal porta de acesso ao Mar Negro está a enfraquecer após uma série de ataques ucranianos que obrigaram Moscovo a suspender o tráfego pelo Mar de Azov. O desenvolvimento representa uma grande reviravolta na região, que durante anos serviu como uma base segura para as operações russas e ligação directa aos oceanos.
Os avanços recentes no programa de drones da Ucrânia mudaram o cenário operacional. Segundo Robert Brovdi, comandante das forças de drones ucranianas, Kiev atingiu 116 embarcações russas no Mar de Azov num curto período de nove dias. Os impactos directos forçaram a Rússia a fechar os dois gargalos de navegação localizados nas suas extremidades: o Canal Don-Azov, que liga o mar às hidrovias interiores, e o Estreito de Kerch, que faz a ligação ao Mar Negro, gerando longas filas de navios retidos.
A operação militar visa cortar as linhas de reabastecimento logístico na Crimeia, península anexada pela Rússia em 2014, que tem sido utilizada como plataforma de apoio às forças que avançam no território ucraniano. Para além do impacto militar, o bloqueio atinge o coração da economia russa, responsável por cerca de um quinto das exportações globais de trigo.
Com um quarto desse volume a depender do Mar de Azov, analistas estimam que as perdas financeiras possam atingir milhares de milhões de dólares face à incapacidade de escoar a produção noutros portos durante a época de pico.
Em reacção, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergey Lavrov, acusou Kiev de terrorismo e pirataria, afirmando que a campanha ucraniana visa apenas causar danos e intimidação. Em resposta, as forças russas intensificaram os bombardeamentos contra o porto de Odessa e outras infra-estruturas no sul da Ucrânia. Por sua vez, as autoridades ucranianas sustentam que os alvos visados são exclusivamente militares e estratégicos.
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