O Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, voltou a agitar o cenário económico global ao declarar, que detém o “direito absoluto” de impor tarifas de importação. A afirmação surge numa fase de desafio aberto às instituições judiciais, após o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter anulado, no mês passado, as tarifas globais anteriormente implementadas pela administração republicana.
Em resposta à decisão judicial, Trump utilizou uma ordem executiva para instaurar uma nova taxa de 10% sobre as importações, sinalizando que não pretende recuar na sua política de proteccionismo económico.
Através da sua rede social, o governante norte-americano sugeriu que já deu início a novos mecanismos de cobrança, referindo-se a uma vaga de investigações lançada na última semana contra 60 economias, incluindo gigantes como a China, o Japão e a União Europeia.
O argumento central de Washington para estas medidas prende-se com a análise de alegadas “falhas de acção contra o trabalho forçado” nestes países. Contudo, as reacções internacionais não se fizeram esperar: o Ministério do Comércio de Pequim classificou as investigações como “extremamente unilaterais e arbitrárias”, exigindo que os EUA corrijam as suas práticas comerciais para não comprometerem a nova ronda de negociações em curso.
Para além da vertente comercial, o Presidente intensificou a sua ofensiva contra o sector financeiro e o poder judicial. Trump atacou duramente o juiz federal James Boasberg por ter anulado as intimações dirigidas ao presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell. O caso está inserido numa investigação sobre os custos de reforma da sede do banco central, mas serve de pano de fundo para as críticas recorrentes de Trump à política monetária de Powell. O Chefe de Estado acusa o líder do Fed, a quem apelidou de “Tarde Demais”, de ser extremamente lento na redução das taxas de juro, o que, na sua visão, prejudica o crescimento económico do país.
O discurso de Donald Trump estendeu-se ainda a críticas directas à própria integridade do sistema judicial americano. Ao classificar a actuação do tribunal como “inepta e vergonhosa”, o republicano argumentou que as decisões judiciais têm sido pautadas pela política e não pela lei.
Este clima de crispação institucional e comercial coloca os mercados internacionais em alerta, numa altura em que a estabilidade das trocas mundiais depende do desfecho das tensões entre Washington e os seus principais parceiros, num braço-de-ferro que parece longe de terminar.
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