O desleixo institucional e a falta de brio administrativo deitaram por terra uma oportunidade de ouro para o desenvolvimento do futebol na República Democrática de São Tomé e Príncipe. Numa revelação que está a deixar os amantes do desporto-rei em choque, a Federação Santomense de Futebol (FSF) perdeu a oportunidade de beneficiar de mais de 3 milhões de dólares norte-americanos em financiamentos da FIFA. A razão? O organismo que tutela o futebol santomense simplesmente não respondeu aos e-mails oficiais enviados pela entidade máxima do futebol mundial.
Este autêntico “apagão” informático e administrativo veio a público durante um workshop estratégico promovido pela própria FIFA, realizado entre os dias 7 e 9 de Junho de 2026, onde foram apresentados os dados financeiros e de apoio relativos ao ciclo de financiamento de 2023-2026. De acordo com os analistas e especialistas seniores da FIFA presentes no evento, a ausência sistemática de respostas e o descaso com as comunicações eletrónicas cortaram, de forma directa, a integração do arquipélago nos programas globais de assistência técnica e financeira.
Um ror de apoios atirados para o lixo
O impacto deste desleixo é profundo e vai fustigar as camadas que mais necessitam de apoio: as escolas de formação e o futebol de base. O bolo financeiro de mais de 3 milhões de dólares que serviria para alavancar as infraestruturas e a logística do futebol amador – não foi o único prejuízo. São Tomé e Príncipe ficou de fora da distribuição gratuita de milhares de bolas de futebol, equipamentos e de vários programas de capacitação institucional.
Entre as oportunidades perdidas pela FSF, destacam-se:
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Financiamentos estruturais para competições juvenis e de formação;
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Iniciativas de desenvolvimento para o futebol feminino;
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Programas de fomento ao futebol de praia e minifutebol;
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Ações de capacitação e bolsas de formação para treinadores e dirigentes desportivos;
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Fundos específicos de até 10 mil dólares para capacitação de lideranças femininas.
Durante as sessões do seminário, os emissários da FIFA não pouparam explicações para demonstrar a simplicidade do processo que foi ignorado. Segundo os oradores, a comunicação institucional é a chave-mestra para a engrenagem dos apoios. O simples acto de abrir, analisar, dar seguimento e responder atempadamente aos e-mails formais teria sido o suficiente para que os pacotes de desenvolvimento fossem injectados nas contas e nos campos santomenses de forma célere.
“Se a Federação de São Tomé e Príncipe enviar e responder aos e-mails da FIFA, a entrada do país em vários pacotes de apoio pode acontecer rapidamente”, alertaram os especialistas, num tom que mistura o espanto com o lamento pelo desperdício de recursos num país com tantas carências infraestruturais.
Clubes locais “batem o pé” e contestam a Federação
Como se não bastasse o escândalo financeiro, a liderança da FSF está a braços com uma forte contestação interna. O ambiente azedou durante o próprio workshop. Vários clubes nacionais vieram a público manifestar o seu profundo descontentamento, acusando a direcção da Federação de compadrio e falta de transparência na gestão do evento.
Segundo os relatos colhidos, a FSF desenhou um processo de selecção altamente restrito, convidando apenas um punhado de “emblemas amigos” para o encontro com os representantes da FIFA. Entre os eleitos figuraram equipas como o Praia Cruz, Aliança Nacional, UDRA, Diogo Vaz, Porto Alegre, Micolo, Folha Fede, Conde, Amadora e Boavista. No entanto, uma avalanche de clubes que ficaram de fora desta lista fechada veio denunciar os critérios obscuros da organização.
Dirigentes das equipas marginalizadas defendem que, sendo uma iniciativa focada no desenvolvimento e na salvação do futebol amador, o encontro devia, obrigatoriamente, contar com uma representação mais alargada, democrática e inclusiva de todas as agremiações desportivas que carregam o futebol daquele país nas costas, muitas vezes sem um tostão no bolso.
A esperança fita o horizonte de 2027
Apesar do cenário de terra queimada administrativa, a FIFA preferiu não fechar definitivamente as portas a São Tomé e Príncipe. O organismo internacional manifestou publicamente a esperança de que esta postura negligente da FSF seja cabalmente corrigida a tempo do próximo ciclo de financiamento, projectado para o período de 2027-2030, permitindo que o país aproveite plenamente as oportunidades para o crescimento do futebol nacional.
Até lá, resta ao futebol santomense contabilizar os prejuízos de uma direcção que preferiu o silêncio digital ao progresso nos relvados. Fica o aviso à navegação para os dirigentes desportivos: na era da modernidade, um e-mail ignorado pode valer milhões e deitar abaixo o sonho de milhares de jovens
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