Uma encenação dramática do comércio transatlântico de escravos no Castelo de Christiansborg, no Gana, serviu de pano de fundo para um compromisso histórico. Líderes de África e das Caraíbas uniram vozes para apoiar um plano de reparações focado em mitigar o impacto duradouro da escravatura.
O evento decorreu nas antigas masmorras do forte, também conhecido como Castelo de Osu, um dos principais pontos de entreposto onde milhões de africanos foram enclausurados antes de serem forçados a atravessar o Atlântico.
A representação artística coincidiu com a conferência de alto nível em Acra, organizada para traçar as directrizes subsequentes à recente resolução da Organização das Nações Unidas sobre a criminalização do tráfico humano histórico. As delegações presentes validaram um plano de acção composto por 19 pontos, que preconiza a exigência de pedidos de desculpa formais por parte das antigas potências coloniais, o perdão de dívidas soberanas, indemnizações financeiras e o reconhecimento global das sequelas socioeconómicas da escravatura.
“A História não nos pede para herdar a culpa, mas pede-nos para assumir a responsabilidade”, vincou o Presidente ganês, John Dramani Mahama, durante a sua intervenção.
O encontro contou com a participação de várias chefias de Estado, incluindo o Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, que defendeu que a resolução da ONU deve transcender o campo simbólico e inaugurar uma fase prática assente na verdade, memória e justiça.
A Primeira-Ministra de Barbados, Mia Mottley, integrou igualmente a comitiva que, juntamente com o homólogo ganês, depositou coroas de flores no emblemático castelo em memória das vítimas, reforçando a aliança transatlântica entre o continente africano e a sua diáspora na exigência de justiça reparatória.

Discover more from MIRAMAR NEWS
Subscribe to get the latest posts sent to your email.




















e