Os residentes da comunidade de Tegina, localizada no estado de Níger, no noroeste da Nigéria, abandonaram em massa a sua aldeia esta sexta-feira, na sequência de episódios violentos que provocaram a morte de pelo menos 18 pessoas e a destruição de dezenas de habitações por incêndio, embora os relatos locais apontem para um número de vítimas mortais significativamente superior ao balanço oficial.
No terreno, o cenário é de destruição, sendo visíveis várias casas com tectos danificados e consumidos pelas chamas. Perante a instabilidade, os homens da comunidade organizaram-se para carregar mobiliário em viaturas de caixa aberta, enquanto mulheres e crianças transportavam os seus pertences em direcção a um campo de refugiados.
Uma das residentes afectadas, Fatima Ibrahim, relatou que esteve internada num hospital durante dois dias devido a problemas de saúde e, ao regressar a casa, encontrou todos os seus bens destruídos pelo fogo.
De acordo com o porta-voz da polícia do estado de Niger, Wasiu Abiodun, a vaga de violência eclodiu na passada segunda-feira, quando homens armados dispararam e mataram um membro da comunidade Fulani no distrito de Tegina, na área de governação local de Rafi. Em reacção a este homicídio, seguiu-se um ataque de retaliação contra membros da comunidade Kamuku no dia seguinte.
Os confrontos desta natureza são recorrentes nas regiões central e norte da Nigéria, sendo frequentemente motivados por disputas territoriais de longa data entre agricultores e pastores nómadas devido ao controlo de rotas de pastoreio, uso da terra e acesso a recursos naturais.
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