Maputo — A travessia entre a África do Sul e Moçambique, tornou-se num pesadelo constante para os moçambicanos que dependem do país vizinho para compras, lazer, trabalho ou tratamento médico. Neste sábado (07), o cenário registado no lado sul-africano da fronteira (Lebombo) foi de completo caos. Milhares de pessoas viram-se obrigadas a esperar mais de duas horas em filas intermináveis para conseguir cumprir os procedimentos legais de imigração.
A situação é agravada pela ausência total de infraestruturas de acolhimento. Sem abrigos, os viajantes são forçados a aguardar ao relento, expostos ao sol intenso ou à chuva, numa clara violação da dignidade humana.
“Uma questão política” e a falta de efetivos
Uma fonte no local, que entrou em contacto com a redação da Miramar, relatou um cenário de total descaso por parte das autoridades sul-africanas. Segundo a denúncia, o interior do posto de atendimento contava com apenas dois agentes de imigração nos guichês, um número manifestamente insuficiente para a enchente de viajantes. Ironicamente, dezenas de agentes da polícia encontravam-se do lado de fora das instalações.
Ao questionar um dos agentes policiais sobre o motivo de tanta demora e da falta de pessoal a atender, a resposta recebida pela nossa fonte foi categórica: “Isto é uma questão política”.
O peso na economia e a inflação em Moçambique
O estrangulamento no Lebombo não afecta apenas o cidadão comum, mas também a micro e a macroeconomia moçambicana. O trânsito de mercadorias está severamente comprometido, com camiões de carga a demorarem até três dias para conseguirem fazer a travessia.
Este atraso logístico tem um efeito dominó direto no bolso dos moçambicanos: o aumento dos custos de transporte e o prolongamento do tempo de viagem estão a gerar o encarecimento de diversos produtos de primeira necessidade no mercado nacional.

A via rápida da corrupção: 50 Rands para furar a fila
Enquanto a maioria desespera nas “bichas” oficiais, um negócio paralelo e ilegal prospera à vista de todos. A mesma fonte revelou que a fronteira está repleta de intermediários (facilitadores) que circulam pelas filas a oferecer uma “assistência personalizada”.
O esquema é simples e rápido: mediante a entrega do passaporte e o pagamento de um suborno de 50 rands, o viajante vê o seu documento carimbado e a travessia liberada em questão de minutos, contornando todo o caos imposto aos restantes cidadãos.
O caos relatado neste sábado não é um caso isolado, mas sim o reflexo de um problema crónico e estrutural frequentemente noticiado pela Miramar. O Fala Moçambique tem acompanhado de perto as constantes crises no corredor Ressano Garcia/Lebombo, alertando para os graves bloqueios logísticos que afectam o transporte de passageiros e carga.
Relatos anteriores confirmam que a Autoridade de Gestão de Fronteiras da África do Sul (BMA) frequentemente opera com falta de recursos humanos, culminando em filas e no congestionamento de camiões em direção ao Porto de Maputo.






















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