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ONU injecta 4,26 milhões de euros para acudir vítimas, mas o défice de resposta continua crítico

ONU injecta 4,26 milhões de euros para acudir vítimas, mas o défice de resposta continua crítico

MAPUTO – Numa altura em que as águas continuam a fustigar severamente as províncias do sul do país, as Nações Unidas em Moçambique anunciou  a disponibilização de 4,26 milhões de euros(aproximadamente 300 milhões de meticais) para reforçar o combate aos efeitos devastadores das inundações.

O anúncio surge como um balão de oxigénio para o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), que se debate com recursos exíguos para fazer face a uma época chuvosa que se tem revelado impiedosa. Segundo dados recentes, as intempéries já ceifaram mais de uma centena de vidas e afectaram centenas de milhares de moçambicanos desde o início da época chuvosa.

Uma gota no oceano das necessidades

Embora o apoio da ONU, canalizado através do Fundo Central de Resposta a Emergências (CERF), seja vital para garantir abrigo, água potável e saneamento às famílias deslocadas, a realidade no terreno mostra que o “buraco” financeiro continua enorme.

O Governo de Moçambique revelou recentemente que o Plano de Resposta Humanitária apresenta um défice orçamental assustador de cerca de 6,6 mil milhões de meticais (aproximadamente 87,9 milhões de euros). Ou seja, o valor agora disponibilizado pela ONU, apesar de bem-vindo, cobre apenas uma pequena fracção das necessidades reais para assistir as mais de 600 mil pessoas que se encontram em situação de vulnerabilidade.

O drama das infra-estruturas e o isolamento

A reportagem da Miramar no terreno dá conta de um cenário desolador. As principais artérias do país, a Estrada Nacional Número 1 (EN1), que liga o Sul ao Norte, e a EN2, encontram-se com troços intransitáveis devido ao transbordo das bacias hidrográficas. O corte destas vias está a estrangular a economia e a dificultar a chegada de ajuda humanitária às zonas recônditas, onde populações inteiras permanecem ilhadas, clamando por resgate e bens de primeira necessidade.

Tripla crise

Responsáveis das Nações Unidas alertam que Moçambique não enfrenta apenas chuvas: o país vive uma “tempestade perfeita” que combina os efeitos das alterações climáticas, a insegurança alimentar e a falta de infra-estruturas resilientes.

Enquanto a ajuda internacional começa a chegar a conta-gotas, as autoridades nacionais apelam à solidariedade interna e à mobilização urgente de mais parceiros de cooperação. Para as famílias que perderam tudo – desde as suas machambas às suas casas de construção precária – a contagem decrescente para a sobrevivência já começou, e cada metical alocado faz a diferença entre a vida e a morte nos centros de acomodação.


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