Miramar News Saúde Universidade de Oxford acelera desenvolvimento de vacina contra o Ébola 

Universidade de Oxford acelera desenvolvimento de vacina contra o Ébola 

Cientistas britânicos utilizam a mesma plataforma tecnológica da Covid-19 para criar um imunizante específico contra a estirpe rara de Bundibugyo

Cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, estão a trabalhar em ritmo acelerado no desenvolvimento de uma vacina contra a estirpe Bundibugyo do vírus do Ébola. A resposta laboratorial surge em reacção directa ao alastramento do surto que atinge a República Democrática do Congo (RDC) e o Uganda, regiões onde as autoridades sanitárias mantêm centenas de casos sob vigilância médica num cenário agravado pelo registo de dezenas de óbitos. 

A equipa de investigadores britânicos adoptou uma estratégia de desenvolvimento baseada na mesma plataforma tecnológica utilizada na vacina contra a Covid-19, desenvolvida em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. O recurso a esta base científica, que já superou ensaios anteriores de segurança em larga escala, constitui um trunfo logístico para encurtar os prazos de aprovação regulamentar, reduzindo para meses um processo que, em circunstâncias normais, demoraria anos. 

O projecto encontra-se na fase de conclusão dos testes pré-clínicos em modelos animais, decorrendo em paralelo os preparativos administrativos e laboratoriais para os ensaios clínicos em humanos.  

Caso os indicadores de segurança e eficácia preliminares se mantenham favoráveis, os primeiros testes em voluntários deverão arrancar num prazo estimado de dois a três meses, focando-se na avaliação da resposta imunológica e na capacidade de produção em escala industrial. 

A urgência na obtenção de um imunizante específico é justificada pelo facto de as vacinas existentes no mercado global, eficazes contra outras variantes do Ébola, não conferirem protecção contra a estirpe Bundibugyo, considerada uma das mais raras e perigosas do mundo.  

A mobilização científica internacional ganhou um novo ímpeto após a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretar a crise sanitária na África Central como uma Emergência de Saúde Pública de Interesse Internacional, devido à complexidade de conter a transmissão em zonas remotas e de infra-estruturas limitadas. 


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