O Governo e o Fórum das Associações Moçambicanas de Pessoas com Deficiência (FAMOD) concertaram posições, esta quinta-feira, em Maputo, sobre a urgência de uma transição tecnológica inclusiva que reverta o actual fosso digital no país.
Durante a abertura da Conferência sobre Deficiência e Transformação Digital, a Inspectora-Geral do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, Igna Macule, anunciou que o Executivo está a finalizar a Estratégia Nacional de Inclusão Digital que inclui um plano de acção de cinco anos focado em populações vulneráveis, mulheres e cidadãos com deficiência, além de harmonizar a Estratégia Nacional de Transformação Digital em parceria com a sociedade civil.
Por sua vez, o presidente do FAMOD, Zeca Chaúque, alertou que a modernização tecnológica e a inteligência artificial podem aprofundar as desigualdades caso ignorem os direitos humanos desde a sua concepção. A organização apresentou dados que apontam as mulheres com deficiência como o grupo mais excluído do acesso à conectividade num país onde cerca de 80% da população continua offline.
Sob o lema “Nada sobre nós sem nós”, o dirigente criticou os investimentos que financiam infra-estruturas sem requisitos de acessibilidade ou verbas para tecnologias assistidas, defendendo que nenhum projecto público, privado ou de cooperação internacional deve ser aprovado sem auditorias de desenho universal e sem a participação directa das associações do sector.

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