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FMI AGENDA VISITA A MOÇAMBIQUE EM JUNHO PARA NEGOCIAR NOVO PROGRAMA DE APOIO 

Equipa técnica do Fundo Monetário Internacional pretende avançar com conversações sobre novo empréstimo, num cenário de pressão fiscal e abrandamento da economia nacional

O Fundo Monetário Internacional (FMI) vai enviar uma missão a Moçambique no próximo mês de junho com o objectivo de dar seguimento às negociações para um novo programa de financiamento. A iniciativa surge numa altura em que o país enfrenta desafios crescentes com o stock da dívida pública, a contracção da economia e a escassez de recursos para assegurar o funcionamento de serviços públicos essenciais.  

Segundo um porta-voz da instituição, citado pela Reuters, as reuniões anuais de Primavera permitiram discussões produtivas sobre o impacto do conflito no Médio Oriente e as formas mais eficazes de o Fundo apoiar as autoridades moçambicanas daqui em diante, estando previsto que as conversações prossigam nos próximos meses. 

Actualmente, Moçambique atravessa um período de forte stress financeiro, com o spread das obrigações soberanas, um indicador de risco crucial para os investidores, a atingir os 1.185 pontos base, nível considerado crítico de acordo com os dados do JPMorgan. Estatísticas do Banco de Moçambique e do próprio FMI indicam que a economia nacional contraiu cerca de 0,5% em 2025, enquanto o rácio da dívida pública em relação ao PIB se situava em 91% no passado mês de fevereiro.  

Esta crise tem raízes no escândalo das dívidas não declaradas de 2016, que abalou a confiança externa e dificultou o acesso a novos financiamentos. O cenário tornou-se mais complexo devido aos sucessivos atrasos nos projectos de gás natural, que deveriam alavancar as receitas do Estado. Em consequência, o endividamento interno disparou, com os empréstimos do Banco Central ao Governo a crescerem 176,1%, atingindo os 49,6 mil milhões de meticais.  

Com o último programa de apoio do FMI concluído em abril de 2025, a viabilização de um novo acordo depende agora de reformas profundas. A instituição defende que é necessária uma consolidação fiscal célere que proteja as camadas vulneráveis, maior flexibilidade cambial e mudanças estruturais na governação para impulsionar o sector privado. 


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