
O futebol italiano volta a ser atingido por um escândalo envolvendo a arbitragem. Gianluca Rocchi, responsável pela designação de árbitros nas Séries A e B, está sendo investigado pela promotoria de Milão por suposta fraude esportiva. O caso levou o dirigente a se afastar voluntariamente e já provoca comparações com o histórico Calciopoli, que abalou o país há 20 anos.
A investigação teve início após uma denúncia do árbitro Domenico Rocca, que demonstrou insatisfação com a gestão da Comissão Nacional de Árbitros (CAN). Em seu depoimento, Rocca relatou episódios de interferência, incluindo um lance da partida entre Udinese e Parma, em março de 2025, quando Rocchi teria batido na janela da cabine do VAR para influenciar uma decisão.
O episódio ocorreu durante o jogo entre Udinese e Parma. Na ocasião, o VAR Daniele Paterna e a assistente Simone Sozza analisavam um possível toque de mão do zagueiro Botond Balogh dentro da área. Após revisão, a equipe de arbitragem entendeu que não houve pênalti, já que o braço do defensor estava junto ao corpo.
Pouco depois, uma batida na janela da cabine teria interrompido a análise. Paterna chegou a se virar e questionar se a jogada seria pênalti. O árbitro da partida, Fabio Maresca, acabou sendo chamado ao monitor e, após revisão, assinalou a penalidade. Florian Thauvin converteu a cobrança e garantiu a vitória da Udinese por 1 a 0. Segundo relatos, a intervenção teria partido de Rocchi.
O áudio da conversa e o registro da batida foram divulgados pelo jornal Il Fatto Quotidiano. Na época, a Federação Italiana de Futebol (FIGC) abriu investigação, mas concluiu que não havia elementos suficientes para punição disciplinar.
Além desse caso, a promotoria de Milão também apura um segundo episódio ocorrido em 2 de abril de 2025, no San Siro, na véspera da semifinal da Copa da Itália entre Inter de Milão e Milan. Rocchi é acusado de manipular a escalação de árbitros para supostamente favorecer a Inter.
De acordo com a investigação, teria sido definido que Daniele Doveri — considerado indesejado pela diretoria nerazzurra — ficaria responsável pelo jogo de volta da semifinal, ficando fora da final ou de outras partidas decisivas. Na mesma ocasião, Andrea Colombo, bem avaliado pela Inter, teria sido escalado para o confronto contra o Bologna. O presidente da Inter, Beppe Marotta, negou qualquer tipo de interferência.
– Ficamos sabendo disso pela imprensa. Ficamos surpresos. Não temos uma lista de árbitros de quem gostamos ou não. De jeito nenhum. Sabemos que agimos com a máxima integridade – disse Marotta à “DAZN” e à “Sky Italia”.
Crise na arbitragem e risco de intervenção
A Associação Italiana de Árbitros (AIA) atravessa um momento de forte instabilidade. O presidente Antonio Zappi foi suspenso por 13 meses, acusado de pressionar árbitros a renunciarem. Com Rocchi e o supervisor do VAR Andrea Gervasoni também afastados, as Séries A e B ficaram sem comando direto na designação de árbitros.
O cenário reacendeu discussões sobre uma possível intervenção do Comitê Olímpico Italiano (CONI), medida já adotada em 2018 após a crise institucional da federação. As eleições para a nova presidência da FIGC estão marcadas para 22 de junho.
Enquanto isso, as investigações seguem em andamento. Rocchi deve prestar depoimento nesta quinta-feira diante dos promotores de Milão. O futebol italiano, que já viveu escândalos como o Totonero e o próprio Calciopoli — este último em 2006, responsável por rebaixamentos de clubes como Juventus e punições a Milan, Lazio e Fiorentina — volta a ter sua credibilidade colocada em xeque.
Após 20 anos, futebol italiano vive outro escândalo de arbitragem
O Calciopoli foi revelado em 2006 e é considerado um dos maiores escândalos de manipulação de resultados do futebol mundial. A investigação apontou que dirigentes da Juventus, Milan, Fiorentina, Lazio e Reggina pressionavam árbitros e observadores para favorecer seus clubes. A Juventus foi rebaixada à Série B e perdeu dois títulos nacionais. Milan, Fiorentina, Lazio e Reggina também foram punidas com perda de pontos e multas.
O episódio marcou profundamente o futebol italiano e deixou cicatrizes que ecoam até hoje. A comparação com o caso atual vem justamente do fato de que Rocchi, o chefe de arbitragem, é acusado de manipular designações de árbitros para beneficiar determinados clubes – algo que remete ao espírito do escândalo de duas décadas atrás.
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