O Director-Geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, apelou, esta segunda-feira, ao reforço substancial dos sistemas de prestação de cuidados de saúde nas regiões fustigadas pelo Ébola. A tomada de posição ocorreu no término de uma visita de trabalho à República Democrática do Congo (RDC), que incluiu uma sessão de balanço com o estadista congolês sobre a evolução epidemiológica do surto.
Paralelamente, diversas organizações de assistência humanitária advertiram que a real magnitude da crise sanitária poderá ser significativamente maior do que aquilo que tem sido reportado pelas instâncias oficiais.
Após o encontro mantido com o Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, na capital, Kinshasa, o líder da agência das Nações Unidas sublinhou a necessidade imperiosa de aliar o combate directo ao surto com a consolidação das capacidades estruturais das redes sanitárias locais. De acordo com as autoridades de saúde, este surto, que já se posiciona como o terceiro maior de que há registo na história do país, propagou-se de forma silenciosa e sem detecção durante várias semanas, facto que colocou as equipas de resposta numa posição de desvantagem e sob forte pressão para conter a cadeia de transmissão.
Os indicadores epidemiológicos partilhados pela OMS dão conta da existência de 906 casos suspeitos de infecção por ébola em solo congolês, número que engloba 223 óbitos suspeitos que se encontram em fase de investigação laboratorial. Por seu turno, o executivo de Kinshasa confirmou uma actualização dos dados, fixando o total de infecções validadas em 282 casos positivos e 42 mortes confirmadas, após a recepção de 19 novos diagnósticos laboratoriais reagentes.
O balanço geográfico partilhado pelo Ministério da Comunicação detalha que a província de Ituri concentra o maior volume de sinistralidade, com 264 casos confirmados, seguindo-se a província de Kivu Norte com 15 ocorrências e, por fim, a província de Kivu Sul com três casos validados.
A actuação das equipas médicas e logísticas no terreno encontra-se fortemente condicionada e agravada pelo facto de as três províncias sob alerta estarem mergulhadas em cenários de conflito armado, focos de violência que têm provocado deslocações massivas de populações e que dificultam o controlo e acompanhamento sanitário da doença.
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