O Conselho Superior da Comunicação Social (CSCS) condenou, de forma inequívoca, o atentado sofrido pelo jornalista da STV, Carlitos Cadangue, na passada quarta-feira, em Chimoio.
A viatura do profissional foi alvejada por diversos disparos de arma de fogo num momento de extrema gravidade que, segundo a instituição, constitui uma ameaça directa à vida humana. O CSCS sublinha que, embora o jornalista tenha escapado ileso, a seriedade do ocorrido não é diminuída.
A instituição destaca que o ataque ocorre num contexto em que Cadangue difundia reportagens de investigação sobre a exploração mineira ilegal de ouro e a poluição de rios em Manica. Estas actividades, que envolvem empresas e particulares, continuavam a ser exercidas clandestinamente, desafiando proibições decretadas pelo Governo.
Para o CSCS, é inadmissível que um jornalista seja alvo de violência e tentativas de silenciamento por cumprir o seu dever de informar a sociedade sobre matérias de elevado interesse público.
Perante este cenário, o órgão exige às autoridades competentes a abertura imediata de uma investigação célere, independente e transparente para o esclarecimento público das circunstâncias do crime. O CSCS insta à identificação e responsabilização criminal dos autores materiais e morais, além da adopção de medidas que garantam a segurança de todos os profissionais da comunicação social em situações de risco.
O Presidente do CSCS, Rogério Sitoe, reiterou que nenhum interesse político ou empresarial se pode sobrepor ao direito à vida e à liberdade de expressão. O Conselho reafirma o seu compromisso inabalável em acompanhar o caso com a máxima atenção, assegurando que o medo e a intimidação não prevaleçam sobre os direitos consagrados na Constituição da República de Moçambique.
