A Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) anunciou que vai apresentar recurso às instâncias competentes da CAF e da FIFA. Em causa está a retirada temporária de campo da seleção do Senegal durante a final do Campeonato Africano das Nações (CAN), disputada em Rabat.
O rescaldo da final do Campeonato Africano das Nações (CAN) 2025 continua a ferver nos bastidores. A Federação Real Marroquina de Futebol confirmou, esta segunda-feira, a intenção de levar o caso da final frente ao Senegal aos tribunais desportivos, alegando que a conduta dos “Leões da Teranga” violou os regulamentos e prejudicou o desenrolar da partida.
A polémica instalou-se nos instantes finais do tempo regulamentar, quando o árbitro da partida assinalou uma grande penalidade a favor da equipa da casa, Marrocos. A decisão gerou uma onda de protestos veementes por parte da comitiva senegalesa, culminando numa situação insólita: os jogadores e a equipa técnica do Senegal abandonaram o relvado em sinal de revolta, interrompendo o jogo durante vários minutos.
Segundoas imagens veiculadas pela TV Miramar, a equipa senegalesa acabou por regressar ao campo após os ânimos serenarem. O jogo prosseguiu e, ironicamente, o Senegal acabaria por vencer a partida no prolongamento por 1-0, sagrando-se campeão africano em solo marroquino. Contudo, o episódio do abandono de campo não foi esquecido pelos anfitriões.
“Situação inaceitável”
A federação marroquina argumenta que a interrupção forçada teve um “impacto significativo no andamento normal da partida e no desempenho dos jogadores”. O organismo que rege o futebol marroquino pretende que a Confederação Africana de Futebol (CAF) e a FIFA analisem se a atitude do Senegal constitui uma infração passível de sanções disciplinares graves, que poderiam, em teoria, alterar o desfecho administrativo do encontro ou resultar em pesadas multas e suspensões para os novos campeões.
A CAF já reagiu, emitindo um comunicado onde condena o “comportamento inaceitável” de alguns intervenientes, sem, no entanto, especificar nomes. O organismo máximo do futebol africano garantiu que está a analisar as imagens e os relatórios dos delegados ao jogo para tomar as medidas disciplinares adequadas.
Para os adeptos e analistas em Moçambique, que acompanharam o torneio com grande expectativa, este episódio mancha a festa do futebol africano. O incidente levanta questões sobre o fair-play e a autoridade da arbitragem em competições de alto nível no continente.
Enquanto se aguarda a decisão dos tribunais desportivos, o título permanece nas mãos do Senegal, mas a “terceira parte” deste jogo promete ser disputada na secretaria, longe dos relvados de Rabat.
