Por Miramar Desporto
Moçambique acordou hoje do sonho dourado. A caminhada histórica da Selecção Nacional no Campeonato Africano das Nações (CAN) 2025 chegou ao fim nos Oitavos de Final, após uma derrota frente à poderosa selecção da Nigéria por 4-0.
Apesar do desaire, o sentimento geral nas ruas de Maputo a Pemba não é de revolta, mas sim de um profundo agradecimento aos “rapazes” que, pela primeira vez, colocaram a bandeira nacional nesta fase da competição.
As “Super Águias” não deram espaço
Não foi desta vez que o “Mamba” picou a “Águia”. Desde o apito inicial, a Nigéria demonstrou por que é considerada uma das gigantes do futebol continental. As estatísticas são frias e contam a história do jogo: as “Super Águias” asfixiaram a manobra ofensiva de Moçambique, registando uma posse de bola avassaladora de 64,4% apenas na primeira parte.
Quando o árbitro mandou as equipas para o intervalo, o marcador já castigava a defensiva moçambicana com um 2-0, fruto de desatenções que custaram caro perante avançados de classe mundial. Na segunda metade, embora os Mambas tenham tentado sacudir a pressão e subir as linhas, a Nigéria geriu a vantagem com mestria, mantendo a superioridade com 61,2% de posse de bola e fechando as contas com um total de 4 golo a favor dos águias e 0 para os mambas.
A profecia de Chiquinho Conde
Na conferência de imprensa de antevisão, o Seleccionador Nacional, Chiquinho Conde, já tinha lançado o aviso à navegação. O “Mister” foi pragmático ao afirmar que o embate não seria fácil e que exigiria uma concentração “acima da média” para travar o ímpeto nigeriano. De facto, a previsão confirmou-se. A qualidade individual e colectiva do adversário acabou por pesar mais na balança do que a garra moçambicana.
A promessa presidencial fica na gaveta?
O jogo também tinha um aliciante extra-campo. O Presidente da República, Daniel Chapo, havia galvanizado a equipa com a promessa de um “chorudo” prémio monetário caso os Mambas carimbassem o passaporte para os Quartos de Final. Com a derrota e a consequente eliminação, não há lugar para o cumprimento dessa promessa específica, mas fica o registo do apoio institucional dado à comitiva.
Um feito inédito e o aplauso do Povo
Contudo, engane-se quem pensa que este resultado apaga o brilho da campanha. Mesmo com a derrota, a nação moçambicana aplaude de pé. Chegar aos Oitavos de Final (“Top 16” de África) é um feito inédito na história do nosso futebol, superando gerações anteriores que nunca tinham passado da fase de grupos.
Nas redes sociais e nas “bancas” de conversa, o tom é de reconhecimento. Moçambique mostrou que tem futebol para competir entre os grandes. O sonho das “Quartas” fica adiado, mas a certeza é que os Mambas saem do CAN 2025 de cabeça erguida.
