MAPUTO – 08 de Fevereiro de 2026
Por: Redacção de Política Internacional
As projecções confirmaram-se e o fumo branco saiu finalmente de Lisboa. De acordo com os dados avançados pela RFI, António José Seguro é o novo Presidente da República de Portugal, vencendo as eleições deste domingo com uma maioria que as sondagens à boca de urna descrevem como “esmagadora”.
Para Moçambique, esta vitória do candidato socialista não é apenas um facto político europeu; é um sinal de alívio e renovada esperança de cooperação bilateral e para os milhares de moçambicanos que vivem na diáspora.
Vitória Esmagadora Garante Estabilidade
As sondagens à boca de urna publicadas ao início da noite não deixaram margem para dúvidas: o eleitorado português optou pelo caminho da esquerda, travando a ascensão da direita que ameaçava fechar as portas de Portugal ao mundo. A vitória de Seguro representa uma escolha pela estabilidade institucional, algo que em Maputo é visto como um “balão de oxigénio” para os acordos diplomáticos em curso.
O Impacto Directo em Moçambique
1. Mobilidade CPLP: “Vistos sem Sobressaltos?”
Com a eleição de Seguro, a grande preocupação sobre o fim dos vistos de mobilidade para os cidadãos dos PALOP parece estar dissipada. Ao contrário da retórica de exclusão dos seus opositores, o novo Presidente eleito defende a integração e o reforço da comunidade lusófona. Para o jovem moçambicano que quer ir estudar para Coimbra ou para o trabalhador que procura uma oportunidade em Lisboa, esta vitória significa que o “machimbombo” da cooperação vai continuar a circular com menos barreiras.
2. Cabo Delgado e a Solidariedade Militar
No dossier da segurança, Seguro é visto como um continuador do apoio directo às Forças de Defesa e Segurança (FDS). Como Comandante Supremo das Forças Armadas, espera-se que mantenha e até reforce a missão de formação militar de Portugal em Moçambique. Numa altura em que o combate ao terrorismo no Norte exige parceiros de confiança, a vitória de Seguro em Belém garante que não haverá um “recuo estratégico” de Portugal.
3. Economia e Investimento: “Mola” e Desenvolvimento
O sector empresarial moçambicano, que mantém laços com Portugal, recebe esta notícia com optimismo. Uma presidência socialista tende a privilegiar o diálogo estatal e o apoio ao investimento externo. Espera-se que os projectos de energia e infra-estruturas, onde as empresas lusas têm forte presença, ganhem novo fôlego, trazendo mais “mola” (investimento) para o mercado nacional.
Reacções em Maputo
António José Seguro prepara-se agora para assumir o cargo que foi de Marcelo Rebelo de Sousa. Se o estilo será diferente, a substância, para Moçambique, parece ser de continuidade e reforço da amizade.
O novo inquilino de Belém terá agora o desafio de unir um Portugal dividido, mas, deste lado do oceano, a expectativa é de que a “ponte” sobre o Atlântico e o Índico se mantenha mais sólida do que nunca.
