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Coreia do Norte usa diplomatas para espionar aliados próximos, como Rússia e China, diz relatório

Inteligência da Estônia aponta que Pyongyang busca acesso a dados que possam impulsionar indústria de defesa e tecnologia

Regime de Kim Jong-un oferece serviços enquanto tenta ocultar sua origem, diz relatório KCNA

A Coreia do Norte tem expandido a sua atuação internacional, com diplomatas envolvidos na coleta de informações tanto na Europa quanto em aliados históricos do regime, como Rússia e China. As informações estão presentes em um relatório divulgado pela agência de inteligência da Estônia.

Segundo o país europeu, o regime em Pyongyang busca acesso a dados que possam impulsionar sua indústria de defesa, bem como capacidade de manufatura, tecnologia, entre outros setores.

A obtenção de informações é conduzida tanto por diplomatas quanto por membros de suas equipes. Em alguns casos, as embaixadas chegam a instituir cargos responsáveis por compilar grandes quantidades de artigos científicos e comprar diversos produtos por meio de redes de aquisição.

A agência de inteligência estoniana também destaca que regime liderado por Kim Jong-un demonstra interesse por uma ampla variedade de informações, tecnologias e equipamentos, incluindo:

  • Tecnologias de produção e materiais para tintas anti-incrustantes destinadas a navios de guerra e submarinos;
  • Plantas de construção de usinas nucleares;
  • Tecnologia de metais de terras raras da Rússia;
  • Dispositivos utilizados em satélites;
  • Sementes para o cultivo de novas variedades agrícolas;
  • Informações sobre uma fábrica de rolamentos na Rússia;
  • Dados para construir novas fábricas na Coreia do Norte, incluindo unidades de fertilizantes, cimento e instalações para produção de componentes de alta pressão;
  • Informações para construir uma fábrica de fertilizantes;
  • Biotecnologia;
  • Inteligência artificial e tecnologias de dados;
  • Tecnologias para geração de eletricidade a partir de energia das ondas e das marés;
  • Grafeno (utilizado na indústria de defesa e em outros setores);
  • Materiais nano e compósitos, além de nanotecnologia;
  • Eletrônicos;
  • Tratores elétricos da China;
  • Tecnologias para processamento de rochas e mineração.

Atuação na China e na Rússia

Segundo as autoridades da Estônia, na China, a inteligência norte-coreana é mais ativa nas cidades de Pequim, Dalian e Shenyang.

Já na Rússia, a atividade concentra-se em Moscou e em Blagoveshchensk, cidade na fronteira com a China. As autoridades norte-coreanas também buscam enviar estudantes para universidades russas a fim de estudar áreas nucleares e outros campos de alta tecnologia.

A relação com os dois países ainda se desenvolve por outro caminho: Pyongyang envia trabalhadores para Rússia e China, além de outras nações, com o objetivo de arrecadar fundos para sustentar o regime e seus programas de armamento. De acordo com estimativas das Nações Unidas, esse contingente já supera 100 mil pessoas.

A maior parte dos salários vai para o Estado, restando a eles apenas uma pequena parcela de seus ganhos. Por exemplo, profissionais de TI altamente remunerados são obrigados a entregar quase 90% de seus rendimentos ao governo norte-coreano.

Os trabalhadores, por sua vez, atuam principalmente nos setores da construção civil e da indústria, muitas vezes em condições precárias. Além disso, com frequência são encarregados de comprar produtos nos países onde estão e enviá-los à Coreia do Norte. Entre eles estão alimentos, roupas, medicamentos, cigarros, móveis, outros bens de consumo e materiais de construção.

Empresas norte-coreanas como fachada

Outro campo em que se observa expansão é o de tecnologia da informação. Os norte-coreanos têm reforçado sua atuação nesse setor, sobretudo no desenvolvimento de criptomoedas e blockchain. Para isso, oferecem serviços a clientes em diversas partes do mundo enquanto tentam ocultar sua verdadeira origem.

Identidades falsas e empresas de fachada registradas em outros países, incluindo China e Rússia, são utilizadas para a prática. Há o risco de que companhias estrangeiras acabem se tornando, sem perceber, clientes dessas organizações que aparentam ser legítimas.

A inteligência estoniana ressalta que o verdadeiro objetivo das empresas de TI norte-coreanas é gerar receita para o regime de Pyongyang e seu programa de armamentos. “É fundamental lembrar que qualquer atividade que ajude a financiar o programa armamentista da Coreia do Norte está sujeita a sanções internacionais e, portanto, é passível de punição, que pode variar de multas a longas penas de prisão”, descreve o relatório.


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