Num discurso à nação esta quinta-feira, Donald Trump acusou a China de fraude eleitoral e de um roubo sem precedentes de dados de eleitores. Segundo o presidente norte-americano, o governo chinês terá operado o “maior roubo de dados eleitorais da história”, num processo que terá começado no ciclo eleitoral de 2020 e continuado ao longo de vários anos, comprometendo as informações de 220 milhões de cidadãos.
Trump afirmou que dados de inteligência mostram que Pequim chegou a criar uma unidade específica para explorar estes registos, que incluem nomes e endereços. O governante acusou ainda os serviços de inteligência dos Estados Unidos de ocultarem deliberadamente a gravidade das acções chinesas e declarou que os sistemas de apuramento de votos do país continuam vulneráveis a interferências da China e da Rússia.
Contudo, os documentos divulgados para sustentar a denúncia parecem contradizer as declarações. Um relatório da CIA foca-se nas eleições da Venezuela, enquanto outro aponta que espionagem chinesa monitorizou a campanha de Joe Biden, mas sem intenção de interferir no escrutínio.
Os dados contrastam também com uma investigação oficial de 2021, que não encontrou evidências de manipulação técnica estrangeira nas eleições de 2020.
O governo chinês rejeitou de imediato as acusações, classificando-as como difamatórias e sem base factual, apelando que o país não seja usado como arma política arremessada nas eleições norte-americanas. A nível interno, a oposição democrata descreveu as revelações como totalmente inventadas, numa altura em que os republicanos enfrentam forte pressão devido à guerra no Irão e à crise energética, a poucos meses das eleições legislativas de novembro.
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