Um recém-nascido perdeu a vida num hospital da cidade de Mongwalu, no leste da República Democrática do Congo (RDC), após ter sido contaminado pela mãe, que testou positivo para o vírus do Ébola. O falecimento ilustra a gravidade da crise sanitária na região, numa altura em que o surto epidemiológico continua a registar uma trajectória de progressivo agravamento.
De acordo com os dados mais recentes partilhados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a epidemia está associada a mais de 900 casos suspeitos, pelo menos 101 casos confirmados em laboratório e cerca de 220 mortes suspeitas, abrangendo territórios da RDC e do vizinho Uganda. O epicentro da crise localiza-se na província de Ituri, onde se situa a circunscrição de Mongwalu.
As equipas médicas enfrentam um desafio acrescido pelo facto de o surto ser provocado pela rara estirpe Bundibugyo, para a qual não existe, até ao momento, nenhuma vacina aprovada pelas agências internacionais de saúde.
Na unidade sanitária de Mongwalu, os profissionais de saúde activaram os protocolos de biossegurança, procedendo à desinfecção rigorosa da área de isolamento antes de acondicionarem o corpo da criança num saco impermeável e selarem o caixão para o transporte seguro para o exterior do edifício. O procedimento ocorreu num ambiente de extrema complexidade operacional, visto que as autoridades governamentais tentam conter a propagação comunitária do vírus em zonas severamente fustigadas por ataques contra centros de tratamento, destruição de tendas de isolamento e fuga de pacientes sob observação para o seio das comunidades.
Peritos em saúde pública alertam que as mulheres e as crianças constituem os grupos em situação de maior vulnerabilidade, particularmente em regiões onde a capacidade de internamento é deficitária e onde uma parte significativa dos casos suspeitos surge fora das estruturas formais de saúde.
O Director-Geral da OMS, Tedros Adhanom, reiterou o aviso de que a velocidade de expansão do surto está a superar as acções humanitárias de resposta, uma consequência directa de o vírus ter circulado de forma silenciosa e indetectável durante várias semanas antes da sua notificação oficial.
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