O mundo digital amanheceu hoje (27) sob novo alerta vermelho. Uma investigação recente, conduzida pelo especialista em cibersegurança Jeremiah Fowler e repercutida internacionalmente em diversos sites especializados em segurança digital, revelou a exposição de um banco de dados massivo contendo 149 milhões de credenciais de acesso. Entre os dados comprometidos, encontram-se dados de contas da Apple, e milhões de acessos ao Gmail, tiktok e Facebook.
Embora a notícia tenha origem em plataformas internacionais, o impacto não conhece fronteiras geográficas e serve de aviso urgente para o internauta moçambicano: a sua palavra-passe pode estar nesta lista.
O Que Aconteceu?
Diferente dos ataques de “força bruta”, onde piratas tentam adivinhar a sua senha, este incidente trata-se de um descuido grave de configuração. Um servidor foi deixado exposto na internet sem qualquer protecção por senha, permitindo que qualquer pessoa com o endereço certo acedesse a um “tesouro” de informações privadas.
Acredita-se que estes dados tenham sido colectados através de infostealers — programas maliciosos que infectam computadores (muitas vezes através de softwares piratas ou links falsos no WhatsApp) e roubam tudo o que o utilizador digita.
A Cultura de “Isso Não Acontece Comigo” em Moçambique
Em Moçambique, a conversa sobre cibersegurança e higiene digital ainda é feita em voz baixa, muitas vezes restrita a pequenos círculos de TI. Existe uma percepção generalizada, mas perigosa, de que “os hackers só querem saber dos bancos ou dos americanos e europes”.
Esta mentalidade ignora que o cibercrime é automatizado. Os piratas informáticos não escolhem alvos manualmente; eles lançam redes gigantescas. O utilizador moçambicano que usa a mesma senha (“123456” ou o seu nome, data de nascimento, nome da filha(o)) para o Facebook, instagram, para o ID da Apple e para o e-mail pessaol ou corporativo, torna-se a vítima perfeita. Basta uma destas contas cair num vazamento como este para que toda a sua vida digital seja comprometida.
O Estado Não Está Imune: A Lição de 2022
Para quem acredita que os sistemas nacionais são invulneráveis, a história recente prova o contrário. É imperativo recordar os ataques cibernéticos aos portais do Governo de Moçambique (ocorridos por volta de Fevereiro de 2022), que deixaram inoperacionais diversos sites estatais, incluindo o portal gov.mz, entre outros.
Naquela altura, hackers reivindicaram a autoria e paralisaram serviços públicos críticos, expondo a fragilidade das infraestruturas digitais do país. Se o próprio Estado, com os seus recursos de defesa, foi vítima de invasão, o cidadão comum deve redobrar a vigilância.
O Que Fazer Agora?
Diante deste novo vazamento de 2026, a recomendação para os moçambicanos é clara e imediata:
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Não reutilize senhas: Se a sua senha da Apple, do gmail, é a mesma do Facebook, etc, mude-as imediatamente.
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Active a Autenticação de Dois Factores (2FA): Esta é a barreira mais eficaz. Mesmo que tenham a sua senha, não conseguirão entrar sem o código que chega ao seu telemóvel.
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Cuidado com Downloads: Evite baixar softwares “crackeados/Pirateado” ou clicar em links suspeitos de “ofertas” que circulam nos grupos de WhatsApp familiares, amigos.
A segurança digital em Moçambique precisa deixar de ser um tabu técnico para se tornar uma prática diária de cidadania.
